Por que os políticos fazem plástica antes da eleição

15/07/2010

Se você pensou: “eles querem ter uma cara mais agradável para atrair eleitores que não se preocupam em saber das promessas ou currículo”,  acertou! Essa também é a ideia que Fernando Reinach, biólogo, defende em texto (com mesmo título do post) do livro A longa marcha dos grilos canibais”, uma coletânea de crônicas – do mesmo autor – sobre ambiente e ciência.

A explicação é que o nosso cérebro foi habilitado para avaliar membros da nossa espécie com os quais nos comunicamos diretamente. Então, quando temos de analisar estranhos, a situação fica complexa. “Selecionar um líder entre os candidatos com os quais nunca interagimos é uma novidade para o cérebro humano, e não é tarefa que ele, mesmo educado, faça com facilidade. Se puder escolher, nosso cérebro prefere utilizar poucas informações obtidas em interações diretas” […] Quando forçados a decidir com base em informações indiretas, os mecanismos utilizados pelo cérebro são primitivos e irracionais.”, diz Reinach.

Pensando nisso, dá pra listar duas atitudes comuns de candidatos em campanha, usadas para reduzir o estranhamento dos eleitores: as cirurgias plásticas ou reconstrução da imagem física para ficarem mais bonitos e o “corpo a corpo” nas comunidades e grupos, para dar aquele ar de que são gente como a gente.

Fernando Reinach faz referências a pesquisas científicas que evidenciam empates entre a escolha de líderes, tanto de forma racional como “irracional”.  Em testes, fotos de candidatos vitoriosos e derrotados em eleições foram submetidas a apreciação de pessoas que não os conheciam. Estas deveriam dizer, apenas por meio das fotos dos políticos, se eles pareciam competentes ou incompetentes. Os resultados mostraram uma relação de 70% de acertos entre “os que pareciam, competentes” e os que haviam sido vitoriosos nas votações reais, ditas racionais.

Claro que temos outros pontos para orientar o nosso voto. Mas sei que antes de tudo, o  cérebro vai tentar nos inclinar para o candidato que parece mais familiar e atraente fisicamente.  Sei lá, acho que sempre vou desconfiar dos bonitinhos agora.

Obs:  Recomendo ler o livro. Algumas crônicas podem ser lidas aqui (clica)

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O jogo da mistificação democrática

24/09/2009

Finalizei a leitura do  “Usos sociais da ciência” , de Pierre Bourdieu. É um livro curto, resultado de uma conferência realizada em 1997, sobre o capital científico e as estratégias de campo.  Não é gostoso de ler, empaquei várias vezes. Mas foi importante  para clarear  ideias de pesquisa e cutucar outras.  Além do foco na atuação dos cientistas, sobram críticas para os jornalistas:

“[…] os eruditos aparentes da opinião ou das aparências, isto é, os pesquisadores e os analistas das pesquisas, essas pessoas que nos fazem acreditar que o povo fala, que o povo não cessa de falar sobre todos os temas importantes. Mas o que jamais é colocado em questão é a produção dos problemas que são postos para o povo. Ora, esses problemas são engendrados segundo o processo circular de circulação entre pesquisadores, jornalistas e politicólogos […].  Nem todo mundo tem os instrumentos de produção da opinião pessoal. A opinião pessoal é um luxo. Há pessoas, no mundo social, que  ‘são faladas’, por quem se falam, porque elas não falam, para as quais se produzem problemas porque elas não os produzem. E, hoje, chega-se mesmo, no grande jogo da mistificação democrática, até dar oportunidade para que respondam problemas que não seriam capazes de produzir. E se faz, então, que produzam falsas respostas que fazem esquecer que elas não têm questões.” (Bourdieu, 2004: 83-84)

Não quis pensar em marketing científico, mas não pude ignorar  as aulas de pesquisa em comunicação e a necessidade de se ter/formular uma questão-problema importante para a sociedade e/ou para a ciência. Como a dificuldade de percepção leva o estudante a parir problemas enviesados! Lembrei das enquetes jornalísticas feitas nas ruas sobre assuntos de que as pessoas jamais ouviram falar.  Também pensei nas análises tortas das pesquisas de opinião que a gente vê… Daí veio uma leve dor de cabeça,  boa para “esquentar” os neurônios e renovar objetivos profissionais.


Ainda sobre o projeto bizarro do senador

10/07/2008

Infelizmente, o projeto passou no Senado ontem. Ainda falta a Câmara. Não desistimos de protestar.

Hoje a petição online marca mais de 11.200 assinaturas. Se você não assinou ainda, aproveita e assina hoje contra esse retrocesso.

Leia algumas das muitas análises feitas por professores, pesquisadores e jornalistas, nos blogs de  Carlos Castilho, Raquel Recuero, Pedro Doria.

Novo: “Como a nova lei pode afetar o seu cotidiano virtual ->IDG NOW (11/07)

Clique aqui para assinar a petição.


Protesto contra o projeto do Senador Azeredo

06/07/2008

Vamos lá, caro visitante, assinar uma petição online pelo veto ao projeto de cibercrimes do senador tucano Eduardo Azeredo!? Se você está “por fora” do assunto, vá ao blog do prof. Sergio Amadeu pra entender melhor. Ele explica muito bem porque a coisa não é boa pra gente. Eu já assinei tudo que eu podia: petição, carta, mandei emails para os colegas etc. A petição será encaminhada ao Senado em forma de PDF gerado às 0h de terça-feira (8/julho).

Blog do Sérgio Amadeu

Clique aqui e assine a petição online