Por mais textos eróticos

06/04/2009

Há algumas semanas consegui terminar de ler o livro “Por que estudar a mídia?, de Roger Silverstone, adquirido há uns 2 anos. Não que fosse um desejo, eu-preciso-ler, mas porque me comprometi a terminar a leitura reiniciada em vários momentos. Já me sentia enjoada só de olhar pra ele.

O livro não tem grandes novidades sobre o tema, bem que desconfiei. O melhor capítulo é o Erotismo, de onde extraí a citação de Roland Barthes (do livro “O prazer do texto”). Achei interessante a analogia barthesiana, que me fez pensar em diversos pontos sobre leitura e análise de um texto.

O lugar mais erótico de um corpo não é onde o vestuário se entreabre? Na perversão (que é o domínio do prazer textual) não há “zonas erógenas”… é a intermitência, como disse muito bem a psicanálise, que é erótica; a intermitência da pele que cintila entre duas peças (as calças e o suéter), entre duas bordas(a camisa entreaberta, a luva e a manga); é essa cintilação que seduz, ou ainda: a encenação de um aparecimento-como-desaparecimento. (Barthes, 1976:9-10)

Essa leitura também me fez refletir sobre a dificuldade de me interessar por textos que encontro em profusão por aí. Eu já li muita porcaria, por gosto e por trabalho. Mas enchi e cansei. Não me falta vontade de ler coisas boas. E qual é o tipo de leitura que me seduz? Sou capaz de ler qualquer coisa, desde que seja erótica, na visão de Barthes. Desde um modo original de descrever uma receita culinária até um livro científico sobre o Caos. Obviamente, também não me falta autocrítica.

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