Tantas coisas miúdas – I

23/04/2009
foto de F.Sponchiado

foto de F.Sponchiado

Acho que todo estudante de jornalismo ouviu alguma vez  a sentença:  “o jornalista é um especialista em generalidades”. Quando me disseram isso, ainda caloura, acreditei e pensei que devia ser muito difícil ser esse profissional.  Mesmo assim, como eu era caxias e inocente, transformei em objetivo. Felizmente, depois de algum tempo, percebi que:

1) um especialista em generalidades é um ser fictício;
2) quem se acha um especialista em generalidades não pode ser uma pessoa boa da cabeça;
3) Leonardo da Vinci e Charles Sanders Pierce são únicos e geniais. Eles não foram jornalistas, mas sabiam um pouco das diversas áreas do conhecimento em suas respectivas épocas;
4) alguns assuntos nos interessam infinitamente mais que outros;
5) etc.

À primeira conclusão, cheguei na década de 90, logo após o primeiro ano de faculdade. A conclusão número 2 foi observada em 2000,  ao conhecer um pesquisador- enciclopédia ambulante, mas comprometido comportamentalmente.
Porém, eu adoro ler assuntos diversos, completamente diferentes entre si, já falei por aqui. E essa mania agora me incomoda demais. Ironia do destino? Não é raro que me veja tentando abrir caminho no meio de informações (variadas e de inúmeros assuntos) engalfinhadas e enlouquecidas na minha cabeça.
Mas há felicidade neste drama (hahaha), eu sei que a memória cotidiana tem vida curta. E é bobagem se aprofundar no que é transitório.
No momento, faço faxina nas miudezas informacionais para reduzir o emaranhado mental.  Nunca pensei que isso seria necessário! =)


2008 em fotos

23/12/2008

Reproduzo parte de um post do prof. Manuel Pinto, do blog   Jornalismo e Comunicação, por duas razões: porque a dica dele  é boa, e, pela foto que ele escolheu para ilustrar o texto sobre a coleção do Boston Globe. A fotografia abaixo foi publicada no jornal “A Crítica”, de Manaus-AM, em 11 de março: uma índia tenta conter, em vão, um pelotão de choque do exército amazonense em ação de despejo/reintegração de posse de terras privadas, onde viviam duzentos sem-terra. (leia aqui uma notícia sobre o caso).  Reflete a ironia histórica que já conhecemos sobre os primeiros donos do Brasil, além da fragilidade contra a truculência.

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(Foto: REUTERS/Luiz Vasconcelos-A Critica/AE)

O blogue “The Big Picture – News Stories in Photographs”, do Boston.com, publicou, nos últimos dias , uma espécie de balanço do ano em imagens. Uma escolha destas é sempre discutível, mas vale a pena ver:

(Manuel Pinto)


Recordar é viver? ou… Esquecer é viver!

28/04/2008

Muita gente reclama que tem péssima memória. E nem sempre é verdade. Muitos dos que conheço lembram de coisas da infância com detalhes, mas esquecem de algumas bem mais recentes. Eu reclamo do excesso de lembranças, que, às vezes, se misturam e já não sei mais onde li, ouvi ou vi coisas.

A matéria de capa da revista Mente & Cérebro, edição de abril, reforça o pensamento do Dr. Ivan Izquierdo, que diz sempre que “mais importante do que lembrar é esquecer”. No texto “Esquecer para lembrar”, vários pesquisadores confirmam que precisamos esquecer de algumas coisas para lembrar de outras mais importantes. E, quando nos esquecemos de algo útil, o sistema está funcionando bem demais! Segundo os cientistas, as pessoas têm potencial de memória diferentes não porque teriam nascido com algo especial, mas porque desenvolveram aptidões diversas.

A matéria traz ainda uma lista de dicas “para não esquecer”: preste atenção no que faz, seja organizado, emocione-se (coisas ligadas a alguma forma de apelo emocional são mais lembradas), revise (algo como repetir o nome de alguém por 30 s após conhecê-lo).

E recorto um conselho de Jéssica Marshall (autora da matéria) para encarar os esquecimentos com bom humor:

[…]da próxima vez que você amaldiçoar a memória ao esquecer um nome, um compromisso ou o número do seu próprio telefone, lembre-se simplesmente de que seu cérebro está lhe fazendo um favor”.