A invenção de Morel

Morel é personagem do romance “A invenção de Morel”, de Adolfo Bioy Casares, escrito em 1940. A suposta invenção do Morel é um gravador/projetor capaz de captar todos os elementos possíveis do ambiente (sons, cheiros, pessoas, plantas, tudo) e reproduzi-los fielmente de uma maneira que seria impossível distinguir projeção e realidade. O que ele pretendia com isso era “viver” para sempre junto com o grupos de amigos, que levou para uma ilha deserta. Ou seja, mesmo que morressem, uma semana de suas vidas se repetiria eternamente a partir do projetor multimídia instalado na ilha.

É uma narrativa angustiante feita por um narrador-intruso da ilha. Os questionamentos desse observador me levaram a ler o livro em gotas. É imperdível para quem gosta de literatura fantástica.

“Se atribuimos conciência e tudo o que nos distingue dos objetos às pessoas que nos rodeiam, não  poderemos negá-la àquelas criadas por meus aparelhos com nenhum argumento válido e exclusivo” (parte do bilhete escrito por Morel e lido pelo narrador-intruso).

Dadas as devidas proporções, as projeções das pessoas do romance são como os personagens vividos por atores de cinema e televisão, cujas personalidades se confundem no imaginário das pessoas; são as amizades que ficam apenas no ambiente online (eu tenho várias); também é a busca pela perfeição estética refletidas nas tentativas de parecer fisicamente com um artista;, e o uso de fórmulas, medicamentos e técnicas que prolonguem a vida e transformem a imagem do corpo sadio e jovem em algo perpétuo.