Cobras, lagartos e carapanãs

01/05/2011

Há pouco mais de um ano, antes de eu decidir deixar a UFRB e vir trabalhar na UFRRJ, meu pai me mandou esta: “Tens certeza de que queres trocar uma universidade nova por outra madura e cheia de ‘cobras criadas’?”  Respondi que o curso em que ia trabalhar era novo, apesar da universidade antiga.
Então, há duas semanas,  a fala do meu pai se confirmou em certa proporção. Uma real cobra criada apareceu à luz do dia no ICHS, local onde trabalho na UFRRJ, em Seropédica. Quem a encontrou foi o @giancornachini, estudante de jornalismo, que postou esta foto no twitpic.

moradora não identificada da UFRuralRJ

(Claro que se trata apenas de uma amostra das que vivem escondidas no recantos do terreno da Rural.)
Pensei em procurar saber nome e sobrenome da  serpente.  Será que existe alguma pesquisa sobre os animais que vivem na universidade? O campus de Seropédica tem mais de 3 mil hectares, mais “mato” que prédios e deve haver muito bicho nesse ambiente. Dei a sugestão de pauta ao Gian.

No twitter, pedi ajuda ao colega @rmtakata, biólogo, que vive em BH-MG. Mas ele também não sabia a identidade da figura e me sugeriu que consultasse o pessoal do blog do Nurof – Núcleo Regional de Ofiologia da UF do Ceará. Deixei um recado no blog com link para a foto. Horas depois, Luan Pinheiro registrou a resposta: “Cara Alessandra, infelizmente por essa imagem que nos mostrou fica impossível identificar a serpente, no entanto posso lhe assegurar de que não se trata de um animal peçonhento.”

Beleza! É o tipo de informação que – mesmo incompleta – é suficiente para aliviar o medo oculto em curiosidade.

Por isso resolvi postar a breve experiência: as  ágeis conexões entre pessoas de vários lugares,  com endereço  – e uso efetivo – na web, em torno de um tema me reafirmaram aquela velha ideia de que é bom conhecer fontes certas quando se quer resolver determinados problemas. #tôligada.

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Tantas coisas miúdas – I

23/04/2009
foto de F.Sponchiado

foto de F.Sponchiado

Acho que todo estudante de jornalismo ouviu alguma vez  a sentença:  “o jornalista é um especialista em generalidades”. Quando me disseram isso, ainda caloura, acreditei e pensei que devia ser muito difícil ser esse profissional.  Mesmo assim, como eu era caxias e inocente, transformei em objetivo. Felizmente, depois de algum tempo, percebi que:

1) um especialista em generalidades é um ser fictício;
2) quem se acha um especialista em generalidades não pode ser uma pessoa boa da cabeça;
3) Leonardo da Vinci e Charles Sanders Pierce são únicos e geniais. Eles não foram jornalistas, mas sabiam um pouco das diversas áreas do conhecimento em suas respectivas épocas;
4) alguns assuntos nos interessam infinitamente mais que outros;
5) etc.

À primeira conclusão, cheguei na década de 90, logo após o primeiro ano de faculdade. A conclusão número 2 foi observada em 2000,  ao conhecer um pesquisador- enciclopédia ambulante, mas comprometido comportamentalmente.
Porém, eu adoro ler assuntos diversos, completamente diferentes entre si, já falei por aqui. E essa mania agora me incomoda demais. Ironia do destino? Não é raro que me veja tentando abrir caminho no meio de informações (variadas e de inúmeros assuntos) engalfinhadas e enlouquecidas na minha cabeça.
Mas há felicidade neste drama (hahaha), eu sei que a memória cotidiana tem vida curta. E é bobagem se aprofundar no que é transitório.
No momento, faço faxina nas miudezas informacionais para reduzir o emaranhado mental.  Nunca pensei que isso seria necessário! =)