Craft “científico”

01/05/2010

Talvez você ache esse tipo de trabalho horroroso. E há dois motivos para esta suposição: muita gente não gosta de imagens científicas e outro tanto detesta artesanato (craft). Mas eu acho  sensacional*, exatamente porque é o encontro do livro de ciências com as linhas coloridas e as contas. Eu gosto de tudo isso.

by CraftyHedgehogEssa rã dissecada em tricô é obra de uma estudante de história, que usa o apelido de Crafty Hedgehog.

by Laura CesariEm colares como este, a artista Laura Cesari tenta reproduzir o universo. É o que ela diz aqui.

E aí temos um neurônio bordado por alguém que se autodenomina Voracius Brain. Eu conheço várias pessoas que adorariam ganhar esse mimo.

A fonte desses achados foi o site Craftzine.

*Eu, @sibelefausto e @AninhaArantes  pensamos que seria bacana oferecer uma oficina de trabalhos manuais em um encontro de cientistas brasileiros.  O problema é a falta de coragem de fazer uma proposta como essa para os cientistas. 🙂


Anticiência na web: dá para controlar isso?

07/10/2009

A palestra sobre anticiência do professor e físico Leandro Tessler, no II EWCLiPo, me incomodou um pouco. Não pelo tema da apresentação, mas sim pelas questões sobre hierarquia científica na web sugeridas. Por acaso, este assunto tem tido minha atenção ultimamente. Como não havia tempo para debate, refleti um pouco mais sobre a propostas do professor. [E estou interessada em mergulhar nessa análise em outro ambiente].

Ele definiu a anticiência como “ideias malucas com roupagem científica”, ou seja, todo conhecimento contrário à ciência ou que não se baseia em  métodos  de investigação cientifica. Entram nessa categoria, por exemplo, o criacionismo, a astrologia e as terapias alternativas, como a homeopatia. As falsas ciências fazem parte do menu diário dos meios de comunicação de massa e são vistas como verdadeiras por muita gente. Tessler vê a ampliação desse problema na web, na medida em que há uma liberdade na produção de informações. Sem dúvida, a possibilidade da participação dos internautas na construção de comunidades temáticas, blogs e sites pessoais aumentou o número de informações sobre diversos temas, até os abomináveis.

A diversidade do público, a formação de subculturas e a ausência de uma hierarquia foram apontadas pelo professor  como as características da rede, que são favoráveis à difusão e alimentação da anticiência. E foi aí que eu me mexi na cadeira: hierarquia=poder. Franzi a testa. Leandro acredita na necessidade de criar uma auto-organização na divulgação de informações científicas na rede. “Como vamos fazer isso?”, perguntou à plateia e levantou possibilidades, entre elas, criar um selo de qualidade e fortalecer a rede de blogueiros cientistas. Disse também que cientistas, jornalistas e blogueiros de ciência devem pensar na autoridade, na hierarquia de publicação para combater as informações pseudocientíficas na web.

Respeito as idéias do professor Leandro Tessler, mas vejo uma contradição nelas: por um lado, é boa a expressão livre, mas depende de quem ou do que se fala? Ainda não há como controlar a pulverização de opiniões e temáticas, nem direcionar as vontades ou crenças dos leitores. E tenho medo que haja um dia. Fazer uma caça aos demônios na web, como alguém sugeriu no Ewclipo, seria improdutivo. Penso que a qualidade (autoridade) de divulgação sobre um determinado tema não se cria com um selo no blog, um currículo certificado, mas com prática adequada. O combate à proliferação de “ideias malucas” pode ser feito com a produção de informação acessível sobre o que é importante e até sobre a falta de fundamentação de certos pensamentos. E é indispensável a interação com os leitores, a aproximação que a internet permite. Não é simples na web, como não é simples no cara a cara, em uma sala de aula ou em uma palestra. É um enorme trabalho para quem deseja se empenhar nele, seja jornalista, cientista, professor ou amante da ciência. Sem carimbos e selos, apenas com conversa equilibradas com os leitores/interagentes. Enfim, seria bom ampliar o debate sobre a divulgação científica na internet e incluir a participação do público nessa história.

= Sobre pseudociência e mídia, recomendo a leitura de Carl Sagan:  O mundo assombrado pelos demônios. A ciência vista como uma vela no escuro.

= Sobre envolvimento do público em produções diversas, recomendo a leitura de Henry Jenkins: A  cultura da convergência.


olá, segunda-feira blue!

23/06/2008

Sonhei que conhecia Kilgore Trout, personagem alter ego do escritor Kurt Vonnegut! Apenas isso já é motivo de risos. Kilgore era bem louco, não sei se o suportaria ao vivo.rs. Por causa do sonho, e porque gosto do modo de escrever de Vonnegut, transcrevo uma boa reflexão de Trout, em Café-da-manhã dos campeões,  sobre o motivo que leva os humanos a não rejeitarem idéias ruins.

“As idéias na Terra eram sinais de amizade ou inimizade. O conteúdo delas não tinha importância. Amigos concordavam com amigos, com o objetivo de expressar amizade. Inimigos discordavam de inimigos com objetivo de expressar inimizade.
“Por milhares de centenas de anos, as idéias dos terráqueos não tiveram importância, uma vez que eles não podiam mesmo fazer muita coisa a respeito delas. As idéias podiam ser tanto sinais quanto qualquer outra coisa.
“Eles tinham até mesmo um ditado sobre a futilidade das idéias: ‘ se sonhos fossem cavalos, os mendigos seriam todos cavaleiros’.”

Para quem não conhece o texto, explico: Não é um livro de auto-ajuda. Muito pelo contrário. O autor escreveu como se explicasse para  ETS sobre o funcionamento da Terra e seus problemas sociais, ambientais, políticos etc. E os desenhos explicativos e toscos são risadas à parte. A trama é bem divertida, irônica, alucinada e real.


O lugar-comum é uma anemia

29/05/2008

A falta de idéias, de horizontes e de experiência deixa as pessoas repetitivas. Pode ser até implicância minha, mas ultimamente tenho percebido o uso mais freqüente de chavões no jornalismo, na literatura, nas ruas e no meu local de trabalho. Ser clichezeiro é mostrar atualização? Absorver memes é sinal de “pós-modernidade”? rs. Não vou ser radical, porque alguns chavões são até bem divertidos (pela imagem que criam) como “caça às bruxas”, “dar com os burros n’água”, “tô passada” e “plantar idéias”. Mas não curto o uso exaustivo de clichês. Parece preguiça pura de pensar, de procurar novidades, de abrir a mente.

E nesse sentido, a rotina também é um clichê insuportável. Eu me sinto num domo formado de lugar-comum, onde semi-deuses diariamente repetem suas sentenças. Só as muito engraçadas valem à pena. Mas tudo certo, já diz o ditado “os incomodados que se retirem” e eu resolvi obedecer em parte. Vou ler uma lista gigante de chavões e expressões bizarras para finalmente me curar dessa ojeriza e passar a neutralizar as bobagens ditas em nome da pseudo- inteligência. #prontofalei!