Tio Patinhas na escola

15/10/2011

Esta curiosa placa pertence a uma escola de educação infantil e ensino fundamental em Santarém-PA. Existe, com certeza, há mais de 11 anos. Lembro de quando começou a funcionar( perto da casa da minha mãe), mas não recordo a data.  Em julho deste ano, quando fiz a foto, o prédio estava em reforma.

Os donos da escola leram a LDB da Educação (=texto que está entre aspas), mas aparentemente não entenderam quem era o Tio Patinhas no gibi. Não consigo “ligar o nome à pessoa”.


Jornalistas no laboratório, cientistas na redação

02/10/2011

“Seria muito interessante que o pesquisador, ao fim do doutorado, passasse um tempo na redação de um jornal para entender como é o processo do jornalismo. Do mesmo modo, o jornalista de ciência ou estudante de jornalismo poderia freqüentar um laboratório e observar o dia a dia dos pesquisadores.“

Assim disse o neurocientista e professor da UFRJ  Roberto Lent, em 14 de setembro, na mesa Educação e Divulgação Científica do Simpósio “Ciência, Tecnologia e Inovação: Visões da Jovem Academia”, organizado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC). A experiência de Lent com a pesquisa e divulgação da ciência traz sempre um frescor no meio de algum ranço existente entre cientistas concentrados em seus projetos, papers e afazeres burocráticos, avessos ao trabalho jornalístico. Do outro lado, há jornalistas apressados para cumprir suas pautas. Concordo totalmente com a proposta dele.

Na minha graduação em jornalismo, fiz estágio em um programa de jornalismo científico e cultural, e estive em laboratórios de aulas e pesquisa. A lembrança mais marcante foi o acompanhamento de rotinas simples do laboratório gerenciado por Cristovam W.P. Diniz, neurocientista e professor da Universidade Federal do Pará(UFPA). Ali também assisti a alguns seminários ministrados pelos estudantes de biomedicina – entre eles, estava o amigo Wallace Leal, hoje pesquisador e professor da UFPA. Diniz foi um grande incentivador do meu interesse na divulgação científica naquele início dos anos 90.

Como jornalista, desenvolvi muitas pautas em laboratórios e escritórios de pesquisa. Bruno Latour e Steve Woolgar , no livro “A Vida em Laboratório”, dizem que se não tivéssemos a menor noção do que é a pesquisa científica, e adotássemos a versão dos cientistas, iríamos aprender apenas a “macaquear” o chefe do laboratório. E creio que isto vale muito para o jornalista em qualquer área de atuação ou especialização.

em busca de informações sobre outras tribos/Foto: Maria Lúcia Srur

 

A partir de julho deste ano, voltei à prática de visitante de laboratório (seria um hobby nerd?). Durante 15 dias, ministrei aulas no curso de especialização em jornalismo científico na Universidade Federal do Oeste do Pará(Ufopa). Uma das nossas atividades foi conhecer um campo de pesquisa arqueológica, recém aberto no terreno da universidade. Em um sábado, estávamos lá, sob sol quente, a interrogar a arqueóloga Denise Gomes e equipe. Foi muito bom ver os alunos ativos na entrevista coletiva. E saí dali com vontade de estudar arqueologia.

Em agosto, levei um grupo de alunos de graduação em jornalismo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro(UFRRJ) para um programa mais “radical”. Conhecemo o laboratório de anatomia animal do Instituto de Veterinária da UFRRJ. Os primeiros momentos foram de impacto e nojo gerados pelo cheiro e pelo visual. Nenhum dos oito alunos havia tido uma experiência como aquela, o que motivou diversas perguntas ao professor Luciano Alonso.  Os alunos participam de um projeto de jornalismo científico que iniciei este semestre na UFRRJ.

Acredito que este tipo de jogo entre estudantes, jornalistas e pesquisadores de outras áreas pode ser muito proveitoso para todos. É por isso que continuarei a incentivar ações e vivências como estas que compartilhei aqui.


O jogo da mistificação democrática

24/09/2009

Finalizei a leitura do  “Usos sociais da ciência” , de Pierre Bourdieu. É um livro curto, resultado de uma conferência realizada em 1997, sobre o capital científico e as estratégias de campo.  Não é gostoso de ler, empaquei várias vezes. Mas foi importante  para clarear  ideias de pesquisa e cutucar outras.  Além do foco na atuação dos cientistas, sobram críticas para os jornalistas:

“[…] os eruditos aparentes da opinião ou das aparências, isto é, os pesquisadores e os analistas das pesquisas, essas pessoas que nos fazem acreditar que o povo fala, que o povo não cessa de falar sobre todos os temas importantes. Mas o que jamais é colocado em questão é a produção dos problemas que são postos para o povo. Ora, esses problemas são engendrados segundo o processo circular de circulação entre pesquisadores, jornalistas e politicólogos […].  Nem todo mundo tem os instrumentos de produção da opinião pessoal. A opinião pessoal é um luxo. Há pessoas, no mundo social, que  ‘são faladas’, por quem se falam, porque elas não falam, para as quais se produzem problemas porque elas não os produzem. E, hoje, chega-se mesmo, no grande jogo da mistificação democrática, até dar oportunidade para que respondam problemas que não seriam capazes de produzir. E se faz, então, que produzam falsas respostas que fazem esquecer que elas não têm questões.” (Bourdieu, 2004: 83-84)

Não quis pensar em marketing científico, mas não pude ignorar  as aulas de pesquisa em comunicação e a necessidade de se ter/formular uma questão-problema importante para a sociedade e/ou para a ciência. Como a dificuldade de percepção leva o estudante a parir problemas enviesados! Lembrei das enquetes jornalísticas feitas nas ruas sobre assuntos de que as pessoas jamais ouviram falar.  Também pensei nas análises tortas das pesquisas de opinião que a gente vê… Daí veio uma leve dor de cabeça,  boa para “esquentar” os neurônios e renovar objetivos profissionais.


Sobre as escolas de jornalismo hoje

15/04/2008

Li este texto bem reflexivo do professor Carlos Castilho “Novas mídias e estudantes colocam o ensino do jornalismo diante de um duplo desafio”. Vejo aí boa parte do que tenho conversado com colegas e visto em sala de aula. Teria muita coisa para comentar imediatamente, não fosse uma pilha de trabalhos para ler. E é aqui que se encontra mais um nó nas escolas particulares. Cada dia mais alunos nas salas de aula e menos professores. Idéias X tempo X espaço X demanda X projetos particulares(ahn?)Xprojetos institucionais…. Bom, vou ali terminar com a pilha…