Exercício zen

24/07/2010

Ensaio de forma zen a volta ao “mundo dos blogs”.  Desde o fim do ano passado que minha cabeça anda meio lá e cá. Em janeiro, fui para a Bahia,  organizei tudo para viver por lá, mas, em maio,  voltei para o Rio de Janeiro. Agora, e por bastante tempo, estou na UFRRJ.  Deixei amigos e ex-alunos queridos em terras baianas, mas era muita boa a oportunidade de voltar pra casa.Vou sossegar um pouco dessa vida de viajante pelas regiões brasileiras e organizar as coisas por aqui.

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Bom novo ano!

30/12/2009

O blog andou “descansando”, mas não está desativado!

Desejo que *2010* seja um bom ano para todo mundo. Até mesmo para os que não acreditam em mudanças para o bem! 😀


Ciência, jornalismo e paixões

29/09/2009

“Jamais se case com um pesquisador. Ou vai passar os fins de semana sozinha.” – aconselhou-me, um dia, o Manoel, amigo paraense. Ele era pesquisador de biomedicina e eu estudante de jornalismo na UFPa. Não esqueci disso. Mas também não casei com um pesquisador. Neste fim de semana, lembrei dele e dos amigos que dormiam em laboratórios na UFPa para não perderem o experimento.  Queria escrever para eles e dizer que passei o sábado e o domingo com vários cientistas e estudantes! Fui para o EWCLiPo (Encontro de blogueiros de ciências) conversar com eles sobre comunicação, blogs, ciência e educação em Arraial do Cabo-RJ, cidade de praias lindas.

Fiquei feliz com o convite da organização, mas um pouco receosa [Pensei até em reler o Bruno Latour em “Ciência em ação. Como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora”]. Explico: sempre estive em encontros de jornalistas e pesquisadores de comunicação. Estes às vezes são belicosos. Mas como sou muito otimista quanto à relação jornalista e cientista, me tranquilizei. Além disso, havia colegas jornalistas na programação: o Bernardo Esteves, a Lacy e a Maria Guimarães.

A paixão foi o mote da palestra da Maria. Contou-nos por que, quase doutora em biologia, abandonou a pesquisa acadêmica e foi fazer jornalismo. Maria acredita que é preciso encantar-se pelo objeto de pesquisa ou pela profissão. Ela, por exemplo, enamorou-se primeiro de um roedorzinho, que estudou durante anos,  e, depois, veio a paixão pela reportagem. Concordo com ela. Não há como gostar de fazer algo que não nos inspire ou pareça necessário para alguma coisa, até para sobrevivência. Sem tesão não há solução, dizia o escritor Roberto Freire.

E  a Maria acertou em cheio. Meu amigo Manoel também. No encontro de blogueiros de ciência, liguei ambas as percepções. Somente um apaixonado pelo que faz se fecha em uma sala para discutir assuntos do seu interesse num fim de semana de sol.  E a sala está a dois passos do mar com praia de areia branquinha. E não é misantropia, porque a sala estava cheia. Não sei o que disseram os pares românticos do pessoal que estava lá. Mas os pesquisadores blogueiros pareciam bem animados em saber mais sobre blogs e comunicação. Uma atividade nova para muitos deles.

Há outros pontos do evento a serem abordados em posts específicos. Quero destacar algumas informações que ouvi.  Um relatório com detalhes foi postado pelo Mauro Rebelo, um dos organizadores do encontro. Mas eu me dei folga do texto jornalístico tradicional e preferi me aproximar do jornalismo de imersão.


Um bom ano em terras fluminenses

29/08/2009

ponte Há um ano mudei de Vitória (ES) para Niterói (RJ). Estava precisando cuidar da minha saúde global. A rotina havia se transformado em cansaço… Não vim pra cá com emprego ou estudo garantido, motivos pelos quais mudei de cidade outras vezes. Resolvi seguir outra trilha.  O medinho inicial foi sobreposto por aquele velho ditado que diz que “quem não arrisca, não petisca”. Hoje estou bem melhor, saúde equilibrada, trabalho tranquilo e em aquecimento para voltar às salas de aula.


Paranoia de 2009

20/08/2009

laughing

Estou com uma virose desde segunda-feira. A garganta ficou ruim e piorou com a tosse, que é aquela que minha avó Elza chama de “tosse de cachorro”: um cof, cof, cof seco e chato. Daí que, hoje, na rua, dei uns 10 cof de vez.  O rapaz que estava um metro a minha frente deu dois pulos adiante  e olhou para trás assustado.  Uma mulher na porta da farmácia levou as mãos à cara. E o senhorzinho que vendia frutas na calçada caiu na gargalhada ao perceber a cena.  Só me restou acompanhá-lo, mesmo que um pouco sem graça.

Olha a paranoia do povo! Tussa e seja motivo de medo. A coisa é séria, sim. Mas acho que não é saudável entrar em pânico por qualquer espirro ou tosse. Além disso, atitudes exageradas podem causar ataques de risos alheios.


Saudade e lembranças

13/07/2009

Hoje meu amigo Juca partiu…  Ele foi um dos grandes incentivadores da minha entrada no mundo do jornalismo científico. Em 1993, ainda estagiária, ele foi meu chefe no projeto jornalístico Academia Amazônia-UFPA, onde me colocou alguns desafios. Em 1994, foi meu colega de turma no segundo semestre do mestrado em Comunicação Científica na Metodista-SP. Desde 1998, ficamos sem notícias um do outro. Em 2004, nos reencontramos nas caixinhas de comentários do blog do Jeso Carneiro, de Santarém-PA. E chegamos a formar uma dupla de comentaristas como “Batman e Robin”. O humor da gente combinava muito. Naquela época, ele ainda não tinha se tornado o blogueiro de política  mais polêmico do Pará,  o que aconteceu nos anos seguintes com a criação do seu Quinta Emenda. Nestes anos todos, muitos emails trocados, alguns telefonemas e a promessa de um almoço, assim que possível.

Ficam na lembrança as conversas boas, os almoços no mestrado, o bom humor sempre presente, a fala mansa, as palavras de incentivo e a tranquilidade.

[…]”Senti, como outras vezes, a tristeza e a surpresa de compreender que somos como um sonho.” […] – Jorge L. Borges, Unending Gift


Tantas coisas miúdas – I

23/04/2009
foto de F.Sponchiado

foto de F.Sponchiado

Acho que todo estudante de jornalismo ouviu alguma vez  a sentença:  “o jornalista é um especialista em generalidades”. Quando me disseram isso, ainda caloura, acreditei e pensei que devia ser muito difícil ser esse profissional.  Mesmo assim, como eu era caxias e inocente, transformei em objetivo. Felizmente, depois de algum tempo, percebi que:

1) um especialista em generalidades é um ser fictício;
2) quem se acha um especialista em generalidades não pode ser uma pessoa boa da cabeça;
3) Leonardo da Vinci e Charles Sanders Pierce são únicos e geniais. Eles não foram jornalistas, mas sabiam um pouco das diversas áreas do conhecimento em suas respectivas épocas;
4) alguns assuntos nos interessam infinitamente mais que outros;
5) etc.

À primeira conclusão, cheguei na década de 90, logo após o primeiro ano de faculdade. A conclusão número 2 foi observada em 2000,  ao conhecer um pesquisador- enciclopédia ambulante, mas comprometido comportamentalmente.
Porém, eu adoro ler assuntos diversos, completamente diferentes entre si, já falei por aqui. E essa mania agora me incomoda demais. Ironia do destino? Não é raro que me veja tentando abrir caminho no meio de informações (variadas e de inúmeros assuntos) engalfinhadas e enlouquecidas na minha cabeça.
Mas há felicidade neste drama (hahaha), eu sei que a memória cotidiana tem vida curta. E é bobagem se aprofundar no que é transitório.
No momento, faço faxina nas miudezas informacionais para reduzir o emaranhado mental.  Nunca pensei que isso seria necessário! =)