Exercício zen

24/07/2010

Ensaio de forma zen a volta ao “mundo dos blogs”.  Desde o fim do ano passado que minha cabeça anda meio lá e cá. Em janeiro, fui para a Bahia,  organizei tudo para viver por lá, mas, em maio,  voltei para o Rio de Janeiro. Agora, e por bastante tempo, estou na UFRRJ.  Deixei amigos e ex-alunos queridos em terras baianas, mas era muita boa a oportunidade de voltar pra casa.Vou sossegar um pouco dessa vida de viajante pelas regiões brasileiras e organizar as coisas por aqui.


Por que os políticos fazem plástica antes da eleição

15/07/2010

Se você pensou: “eles querem ter uma cara mais agradável para atrair eleitores que não se preocupam em saber das promessas ou currículo”,  acertou! Essa também é a ideia que Fernando Reinach, biólogo, defende em texto (com mesmo título do post) do livro A longa marcha dos grilos canibais”, uma coletânea de crônicas – do mesmo autor – sobre ambiente e ciência.

A explicação é que o nosso cérebro foi habilitado para avaliar membros da nossa espécie com os quais nos comunicamos diretamente. Então, quando temos de analisar estranhos, a situação fica complexa. “Selecionar um líder entre os candidatos com os quais nunca interagimos é uma novidade para o cérebro humano, e não é tarefa que ele, mesmo educado, faça com facilidade. Se puder escolher, nosso cérebro prefere utilizar poucas informações obtidas em interações diretas” […] Quando forçados a decidir com base em informações indiretas, os mecanismos utilizados pelo cérebro são primitivos e irracionais.”, diz Reinach.

Pensando nisso, dá pra listar duas atitudes comuns de candidatos em campanha, usadas para reduzir o estranhamento dos eleitores: as cirurgias plásticas ou reconstrução da imagem física para ficarem mais bonitos e o “corpo a corpo” nas comunidades e grupos, para dar aquele ar de que são gente como a gente.

Fernando Reinach faz referências a pesquisas científicas que evidenciam empates entre a escolha de líderes, tanto de forma racional como “irracional”.  Em testes, fotos de candidatos vitoriosos e derrotados em eleições foram submetidas a apreciação de pessoas que não os conheciam. Estas deveriam dizer, apenas por meio das fotos dos políticos, se eles pareciam competentes ou incompetentes. Os resultados mostraram uma relação de 70% de acertos entre “os que pareciam, competentes” e os que haviam sido vitoriosos nas votações reais, ditas racionais.

Claro que temos outros pontos para orientar o nosso voto. Mas sei que antes de tudo, o  cérebro vai tentar nos inclinar para o candidato que parece mais familiar e atraente fisicamente.  Sei lá, acho que sempre vou desconfiar dos bonitinhos agora.

Obs:  Recomendo ler o livro. Algumas crônicas podem ser lidas aqui (clica)