Anticiência na web: dá para controlar isso?

A palestra sobre anticiência do professor e físico Leandro Tessler, no II EWCLiPo, me incomodou um pouco. Não pelo tema da apresentação, mas sim pelas questões sobre hierarquia científica na web sugeridas. Por acaso, este assunto tem tido minha atenção ultimamente. Como não havia tempo para debate, refleti um pouco mais sobre a propostas do professor. [E estou interessada em mergulhar nessa análise em outro ambiente].

Ele definiu a anticiência como “ideias malucas com roupagem científica”, ou seja, todo conhecimento contrário à ciência ou que não se baseia em  métodos  de investigação cientifica. Entram nessa categoria, por exemplo, o criacionismo, a astrologia e as terapias alternativas, como a homeopatia. As falsas ciências fazem parte do menu diário dos meios de comunicação de massa e são vistas como verdadeiras por muita gente. Tessler vê a ampliação desse problema na web, na medida em que há uma liberdade na produção de informações. Sem dúvida, a possibilidade da participação dos internautas na construção de comunidades temáticas, blogs e sites pessoais aumentou o número de informações sobre diversos temas, até os abomináveis.

A diversidade do público, a formação de subculturas e a ausência de uma hierarquia foram apontadas pelo professor  como as características da rede, que são favoráveis à difusão e alimentação da anticiência. E foi aí que eu me mexi na cadeira: hierarquia=poder. Franzi a testa. Leandro acredita na necessidade de criar uma auto-organização na divulgação de informações científicas na rede. “Como vamos fazer isso?”, perguntou à plateia e levantou possibilidades, entre elas, criar um selo de qualidade e fortalecer a rede de blogueiros cientistas. Disse também que cientistas, jornalistas e blogueiros de ciência devem pensar na autoridade, na hierarquia de publicação para combater as informações pseudocientíficas na web.

Respeito as idéias do professor Leandro Tessler, mas vejo uma contradição nelas: por um lado, é boa a expressão livre, mas depende de quem ou do que se fala? Ainda não há como controlar a pulverização de opiniões e temáticas, nem direcionar as vontades ou crenças dos leitores. E tenho medo que haja um dia. Fazer uma caça aos demônios na web, como alguém sugeriu no Ewclipo, seria improdutivo. Penso que a qualidade (autoridade) de divulgação sobre um determinado tema não se cria com um selo no blog, um currículo certificado, mas com prática adequada. O combate à proliferação de “ideias malucas” pode ser feito com a produção de informação acessível sobre o que é importante e até sobre a falta de fundamentação de certos pensamentos. E é indispensável a interação com os leitores, a aproximação que a internet permite. Não é simples na web, como não é simples no cara a cara, em uma sala de aula ou em uma palestra. É um enorme trabalho para quem deseja se empenhar nele, seja jornalista, cientista, professor ou amante da ciência. Sem carimbos e selos, apenas com conversa equilibradas com os leitores/interagentes. Enfim, seria bom ampliar o debate sobre a divulgação científica na internet e incluir a participação do público nessa história.

= Sobre pseudociência e mídia, recomendo a leitura de Carl Sagan:  O mundo assombrado pelos demônios. A ciência vista como uma vela no escuro.

= Sobre envolvimento do público em produções diversas, recomendo a leitura de Henry Jenkins: A  cultura da convergência.

21 respostas para Anticiência na web: dá para controlar isso?

  1. Tatiana disse:

    Oi, Alessandra,
    muito bom encontrar esse teu post! Estive acompanhando um pouco do debate entre vc e a Maria lá no Ciência e Idéias e já estava com coceira na mão pra escrever um tantico sobre isso, mas estava meio atrapalhada com o tempo. Ainda bem que vc já escreveu!
    Debati com alguns colegas nos intervalos do EWCLiPo justamente isso, essa “luta” pela extinção dos criacionistas e pseudocientistas na web etc. Acho isso completamente descabido, além de uma perda de tempo.
    Concordo plenamente com o que vc escreveu! Não faz sentido algum essa história de selo de qualidade! Será dado por quem? e pra quem? Se um dos grandes méritos da web é justamente democratizar o acesso tanto de quem lê, quanto de quem escreve! É uma ideia que vai na contramão de tudo isso.
    Entendo a preocupação dos cientistas de verem algumas “coisas estranhas” sendo divulgadas como ciência, mas a forma de “combatê-las” não é impedindo de se manifestarem, e sim usando o espaço que se tem pra dizer o que se acha que deve ser dito. Transforme-se você mesmo em uma boa referência científica para educadores, jornalistas, outros cientistas, curiosos em geral e seu papel está feito. Muito melhor do que se ficar passando o tempo no combate à extinção daqueles com ideias contrárias.
    E, vamos lembrar, o debate e a refutação fundamentada de hipóteses e interpretações está na essência da prática científica! Como os cientistas pretendem combater aquilo que não é ciência e divulgar aquilo que é ciência usando uma prática tão avessa àquela que prezam, defendem e que os constitui?
    Obrigada por propiciar este espaço para um debate genuíno!
    Abração,
    Tati

    • Tati, muito obrigada pelo comentário essencial para complementar a minha visão! Eu demorei para escrever este post e acabei por relativizar várias ideias do post original. Fico feliz que você, divulgadora e bióloga, compartilhe dessa leitura e do debate. Vamos sugerir debates, em vez de só palestras no III Encontro?

  2. Tatiana disse:

    Ótima ideia!
    As palestras são muito interessantes, sem dúvida; mas fica aquela pressa de cumprir com o cronograma e não dá tempo de debater muitas questões importantes.

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  4. Acho que o Leandro deveria distinguir melhor Movimento de Anticiencia (que é tributário à contracultura) de pseudociência e crenças não-cientificas.

    Eu tenho várias crenças não-científicas, por exemplo: a) Que vinho é melhor que cerveja (não para a saúde, mas para mim!), b) Que meus filhos tem QI acima da média (nuca medi isso, logo é uma crença não científica), c) Que minha namorada gosta de mim (tenho algumas evidencias experimentais, mas sem controle duplo cego).

    Já uma crença pseudocientífica é aquela que pretende usar o metodo cientifico para se legitimar, ou seja, não se contenta em ser apenas uma crença filosófica, estética, moral, religiosa ou privada. Nesse sentido, o “criacionismo cientifico”, o filme “Quem Somos Nós?”, a Homeopatia e o Espiritismo científico são pseudociencias. Mas se renunciarem a esse desejo positivista de serem cientificos, os cientistas nada terão a reparar (poderão critica-los por não serem compatíveis com evidencias cientificas, mas não por serem pseudocientificos).

    A Astrologia, a Psicanálise e o Marxismo já renunciaram ao desejo positivista de se legitimarem como ciencias. Defendem-se como sendo metacientificos ou mesmo filosoficos. Porque as outras crenças citadas não podem fazer o mesmo? Isso evitaria muitos atritos com os cientistas.

    Finalmente, o Movimento de Anticiência, que tem raizes em Nietszche (um ateu!) e via Feyrabend, Marcuse, Roszack nos chega hoje com o relativismo cultural pós-moderno etc, é outra história (embora, em geral, os defensores modernos da anticiencia simpatizam com movimentos religiosos tipo New Age). Para conhecer a anticiência, ver:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Antiscience

  5. Wat? disse:

    Achar que vinho é melhor que cerveja não tem nada a ver com crença. É preferência regulada pelo seu próprio mapa de prazeres, que emerge da plasticidade neuronal de cada um. Não há aposta sobre decisões preferênciais de cunho sensorial a priori. É só a posteriori que pode surgir a sensação ou percepção de que, de alguma forma, alguma preferência pode ser interpretada como aposta ou crença, pois durante o ato de preferir não há aposta, somente o ato de realizar aquilo que vai de acordo com o que governa suas vontades. Ou seja, agir conforme o mecanismo de recompensa dopaminérgico do cérebro.

  6. Moisés disse:

    A proposta de anticiência, e todas as correlatas que visam algum tipo de caça às “bruxas”, parte do pressuposto de que a ciência é um edifício acabado, onde as teorias representam a última palavra, ou a mais recente, firmemente alicerçadas por sobre qualquer teoria, ou crença, anterior. Ou seja, cada teoria científica seria na verdade a lápide de qualquer conhecimento passado.

    É claro que isto é falso. Há teorias divergentes e há até teorias conflitantes. Há, por certo, teorias hegemônicas em várias áreas, mas nunca teorias definitivas.

    Para verem o absurdo de se meter em uma empreitada dessas, bastante levá-la ao limite: já pensaram, a cada novo resultado de pesquisa, que demonstre que as interpretações vigentes eram incorretas ou incompletas, termos que sair correndo apagando os posts anteriores sobre o assunto, apenas para não corrermos o risco de termos nossos “selos de qualidade” cassados?

  7. Eli Vieira disse:

    Oi Alessandra. Gostei do post.

    A ideia de um selo é excelente, e já existe, por exemplo, com o selo ResearchBlogging.org, que já conta com blogueiros que postam em língua portuguesa.

    Fazer algo mais lusófono e tupiniquim seria interessante.

    O que eu tenho feito é usar meu nome pessoal para o confronto direto (contra criacionistas, por exemplo, como já fiz no Twitter e no orkut), e o nome da rede social (Evolucionismo) para focar a divulgação positiva.

    Acho que a divulgação científica tem que ter duas dimensões: a “negativa”, ou seja, de desconstruir pseudociências e as alegações que são frequentemente feitas na mídia mas que prescindem de sustentação científica; e a dimensão “positiva”, de tornar disponível de uma forma doce aquela enxurrada amarga de informação científica técnica com a qual somos bombardeados.

    Um abraço.

    • Tatiana disse:

      Eli, apenas um esclarecimento sobre o Research Blogging: o selo do RB não tem relação com essa questão do selo mencionada anteriormente. O RB não tem a pretensão de dar um selo de qualidade para as postagens. A ideia é apenas indicar que determinado post refere-se a uma pesquisa revisada por pares (peer review). E proporcionar mais um espaço de visibilidade na web para o blogueiro (o post dele passa a ser visto por quem visita o site do RB).
      Além disso, o selo é colocado pelo blogueiro se quiser para indicar a ligação com o site. Não é o RB que vai lá e dá um carimbo de “aprovado”.

  8. Alessandra,
    Adorei seu comentário. Acho que me expressei realmente mal no EWCLiPo, pois a Maria do Ciência e Idéias escreveu algo similar mas menos incisivo, Tatiana também se expressou nessa direção…
    Eu nunca pensei em impedir alguém de falar o que pensa ou expressar o que sente. Seria de uma ingenuidade atroz querer caçar os demônios na web.
    Quando falei em hierarquia, e parece que isso incomodou a muitos, falei em instrumentos para discernir o que é resultado científico do que é bobagem travestida de ciência.
    E como bem notado, não sei a resposta. Eu sei o que a sociologia da ciência tem feito nos últimos séculos, mas isso não serve mais.
    Outra coisa: sou professor de física lá na minha universidade. Aqui sou um blogueiro que tem como única pretensão difundir a cultura científica.

    • Leandro, que bom que vc apareceu aqui e comentou o que eu gostaria de ter conversado com você! obrigada!

    • Tatiana disse:

      Oi, Leandro!
      Que bom mesmo podermos todos conversar por aqui🙂 Acho que a Alessandra colocou bem qual a questão: deveria haver na programação do EWCLiPo um espaço pra debates, só aqueles rápidos minutinhos no final de cada palestra não dá pra debater questões como essa. Seria bem mais interessante se todos pudéssemos ter debatido isso em conjunto por lá ao vivo e a cores, então teríamos um bom complemento da palestras.
      Sobre os instrumentos que você menciona (“para discernir o que é resultado científico do que é bobagem travestida de ciência”), acho que aí sim o Research Blogging mencionado pelo Eli acima tem um papel, veja se você concorda. Não por conferir selo de qualidade, mas por agregar no site as postagens baseadas em peer review de vários blogueiros. Ou seja, usa-se os métodos já estabelecidos para avaliar ciência (que é o aceite em periódicos científicos etc) para fazer essa avaliação. Mas é o blogueiro quem decide entrar no RB (não é o RB que sai pela web conferindo selo de qualidade, como interpretei do comentário do Eli)e são os leitores que decidem ler ciência no site do RB pq lá encontram esse “formato” de post. Então, na minha interpretação, é um esquema que mantém a “liberdade da web” ao mesmo tempo que propicia essa separação entre o que é estabelecido como ciência e o que não é.

  9. Mauro Rebelo disse:

    Pessoal, selos podem ser uma grande bobagem para alguns, mas funcionam. Se a SBPC ou o MCT criar um selo para blogs eu tenho certeza que os leitores vão valorizar. Acho que é um pouco de ingenuidade da Ale pensar que o combate à proliferação de “idéias malucas” pode ser feito com a produção de informação acessível e conversar equilibradas. Basta olhar os comentários em alguns dos posts do Reinaldo Lopes e, principalmente, do Stevens Rehen sobre células tronco. Os fundamentalistas são a maioria e batem pesado. Não tem conversa. O método científico não é a única forma de fazer ciência (tem a obsessão e a teimosia científica), mas é sem dúvida a mais produtiva e eu também defendo que sejamos enfáticos ao combater o uso do seu santo nome em vão (como o Carl Sagan faz no ‘mundo assombrado pelos demonios).

  10. Mauro Rebelo disse:

    No mais, acho que um espaço aberto para debate nos encontros é perigoso. Eu tenho como avaliar o interesse da platéia pelo que um palestrante dirá, mas não tenho como avaliar o interesse da platéia pelo que a própria platéia tem a dizer. No caso do II EWCLiPo, isso poderia significar um monte de gente levantando e indo pra praia (o que, de uma forma ou de outra, é incrível que não tenha acontecido). Mas por isso também o encontro foi em Arraial: um lugar pequeno e aconchegante favorece o e debate informal. Fora o Coffee-break, estávamos (praticamente) todos almoçando e jantando (ainda que alguns só cerveja) juntos. Nenhuma mesa redonda pode substituir isso. Um abraço,

  11. Elga disse:

    Bom, para separar “descobertas científicas” de descobertas “pseudo-científicas” o que é preciso fazer é analisar os métodos da pesquisa e a interpretação dada dos resultados. Quem geralmente decide o mérito dessa maneira são os periódicos. Os periódicos são qualificados por sua vez por relevância e credibilidade.
    Assim, acredito que não há fato científico que seja válido e não tenha passado pelo crivo de uma revista científica. Ou seja, esse “selo” proposto, pode ser simplesmente o fato de ser publicado ou não por uma revista mais, ou menos, séria.
    A questão é que a população não-cientista não lê periódicos. Não porque não quer, mas porque em geral não são compreensíveis por leigos.
    Levando em conta esse contexto, acho que o mais importante para previnir o charlatanismo, e que as pessoas sigam “pseudociências”, seria criar uma interface entre o mundo acadêmico e a população. Por exemplo, criando uma “versão para leigos” de assuntos que são seriamente discutidos em grandes publicações científicas (com sua bibliografia devidamente colocada).
    Pessoas como Dawkins (concorde-se ou não com sua postura) conseguem muitas vezes atingir um público leigo utilizando uma linguagem mais simples para explicar o que artigos científicos complexos andam dizendo. Acho que isso poderia ser mais difundido, como forma de prevenção da ingenuidade e suscetibilidade das pessoas às pseudociências.

  12. maria disse:

    alessandra, que belo debate você abriu aqui
    concordo com o mauro: difícil separar um tempo pra debates. mas talvez fosse possível planejar falas mais curtas com mais tempo previsto para perguntas e discussões. mas concordo, nada como uma boa mesa de bar ou restaurante.

    quanto ao selo de qualidade, concordo com o que foi dito: quem seria a grande autoridade? quem diz o que é bom e o que não é? o research blogging indica que um texto é baseado em pesquisa, mas eu posso me basear num artigo científico pra escrever anti-ciência. não é um selo de qualidade. e quem diz que só o que se baseia em ciência tem qualidade? não é por aí.

    acho que o problema da qualidade não é da internete, é da comunicação em geral. quanta bobagem a gente não lê em jornais e revistas impressas? mesmo alguns com selos de qualidade de anos de jornalismo sério? o jeito é praticar o bom senso. difundir essa postura de cada um ter olho crítico é ajudar a formar cidadãos.

  13. Sonia disse:

    Pessoal,

    Estou adorando este debate. Tanto que comecei uma série no blog Inclusão Digal sobre Cultura de Amadores.

    Eu concordo com o Osame em muita coisa. Filha de uma família de livre pensadores, católicos, umbandistas, candobleseiros e por aí vai, lobatiana de carteirinha, me incomoda o esforço desesperado da nossa espécie por regulamentar tudo.

    Isto não é uma crítica ao Leandro e a proposta de hierarquia. Se a Academia Brasileira de Ciências resolver dar um selo de qualidade a blogs, eu não serei candidata inclusive porque boa parte dos cientistas que conheço consideram que a gestão de aprendizagem e inclusão digital que pratico não é ciência, é educação ou algo semelhante. Mas acho que alguns cientistas serão e receberão o selo e isso é bom para eles e para todos nós que saberemos em que lugares na Web encontrar dados comprovados por Pares, o que não significa, necessariamente, verdades eternas, apenas comprovações relativas.

    Beijos a todos.

    Sonia

  14. Hermes disse:

    É a sumula vinculante…!

  15. […] Anticiência na web: dá para controlar isso? […]

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