Crochê hiperbólico

31/08/2009

Eu gosto de fazer crochê para não pensar em qualquer coisa. Na verdade,  ao tecer as tramas, a gente só pensa em continhas: duas laçadas, pula um, faz dois pontos altos ali, aumenta cinco correntinhas etc. Como dá muito trabalho, só faço objetos pequenos e rápidos. Engraçado é o olhar de descrença de alguns colegas, quando sabem disso:  “ah, fala sério, isso não tem nada a ver com você!”.  E se eu disser que tem gente estudando matemática com crochê?

Há algum tempo eu quis postar trabalhos do Institute for Figuring, um projeto que envolve estudos sobre meio ambiente, matemática e  uma rede de crocheteiras pelo mundo.  Mas agora, após ler bobagens da umbigolândia pseudocientífica, resolvi compartilhar o  vídeo da breve palestra de uma das idealizadoras do projeto, onde ela conta como tudo começou: após a massificação do assunto aquecimento global e a preocupação em reproduzir recifes de corais que estavam desaparecendo. E no desenrolar disso, entram conhecimentos matemáticos, biologia marinha e o artesanato. Esta junção prova que é possível aliar temas, trabalhos e opiniões, desde que haja visão alargada para aceitar maneiras diversas de compreensão e representação. Estou aprendendo isso também.

[com legendas em português]


Um bom ano em terras fluminenses

29/08/2009

ponte Há um ano mudei de Vitória (ES) para Niterói (RJ). Estava precisando cuidar da minha saúde global. A rotina havia se transformado em cansaço… Não vim pra cá com emprego ou estudo garantido, motivos pelos quais mudei de cidade outras vezes. Resolvi seguir outra trilha.  O medinho inicial foi sobreposto por aquele velho ditado que diz que “quem não arrisca, não petisca”. Hoje estou bem melhor, saúde equilibrada, trabalho tranquilo e em aquecimento para voltar às salas de aula.


Pode beijar a noiva!

28/08/2009

noiva cadaver

No filme “A noiva cadáver”, de Tim Burton, o mocinho Vítor casa acidentalmente com uma noiva morta-viva, com quem vai viver no mundo dos mortos. E lá ele descobre que os mortos são mais alegres que os vivos que conhece. Não é um filme novo, mas foi dele que me lembrei, quando fui convidada pelo jornalista e provocador (rs) Jorge Rocha a comentar sobre uma fofoca nova-velha: a morte dos blogs ou da blogosfera.  Para mim, os blogs são como a noiva-cadáver.  Estão cambaleantes como novidade, mas sobrevivem e ainda são atraentes.

Não quero falar de formato de blog, nem de gênero, nada de classificação.  Não sou estudiosa, apenas observadora (e usuária) sem compromisso. Outro dia, em uma conferência, eu falava sobre vários blogs muito específicos e um sujeito twittou “Alessandra agora está falando sobre blogs de tosqueiras”. Quando vi isso, ri e fiquei pensativa sobre como um pesquisador de cibercultura jogava tudo dentro de um balde só. Eu não consigo encarar como besteira, por exemplo,  o blog de uma dona de casa que publica os vídeos – feitos por ela – para explicar melhor um ponto de tricô. Ou os blogs de pessoas que experimentam – por vontade própria – comidas, roupas e cosméticos e escrevem sobre isso.

Esse espalhamento do uso dos blogs é visto por algumas pessoas como fator de decadência . Agora que todo mundo usa, perdeu o glamour e “vamos partir para outra”.  É uma bobagem pensar assim, mas também pode ser uma reação positiva, quando dá início a outras formas de se expressar na web. Parece que um pessoal tem preferido fazer vídeos e podcasts em vez de só escrever.

Os blogs não estão morrendo, mas sim ficando comuns. E, assim,  a ideia da existência de uma blogosfera torna-se vazia, o que deve deixar os taxonomistas frustrados ou excitados para criar novos nomes. O mundo dos blogs é a web, que se tornou parte da vida diária das pessoas – e a cada dia um pouco mais.  O que é ultrapassado para os precoces ainda pode ser surpreendente para muita gente.

Leia análises bem elaboradas deste assunto nos blogs dos feras que também responderam ao Jorge:  Ana Brambilla, Alec Duarte e Beth Saad.


Paranoia de 2009

20/08/2009

laughing

Estou com uma virose desde segunda-feira. A garganta ficou ruim e piorou com a tosse, que é aquela que minha avó Elza chama de “tosse de cachorro”: um cof, cof, cof seco e chato. Daí que, hoje, na rua, dei uns 10 cof de vez.  O rapaz que estava um metro a minha frente deu dois pulos adiante  e olhou para trás assustado.  Uma mulher na porta da farmácia levou as mãos à cara. E o senhorzinho que vendia frutas na calçada caiu na gargalhada ao perceber a cena.  Só me restou acompanhá-lo, mesmo que um pouco sem graça.

Olha a paranoia do povo! Tussa e seja motivo de medo. A coisa é séria, sim. Mas acho que não é saudável entrar em pânico por qualquer espirro ou tosse. Além disso, atitudes exageradas podem causar ataques de risos alheios.