Desejo de parecer rica e descolada

Sempre que possível, dou uma olhada em blogs de moda e vestuário. Neste fim de semana, muitas meninas escreveram suas percepções sobre a coleção de Reinaldo Lourenço (estilista brasileiro chic) recém lançada pela C&A.  Algumas blogueiras e comentaristas disseram estar decepcionadas com os tecidos, com a qualidade do acabamento, com as cores etc. A peça mais cara custa 100 reais.  Eu fiquei pensando em quantas daquelas garotas  resmungonas já viram uma criação do moço de perto, ou, se teriam dinheiro pra comprar além do padrão de preço de uma loja de departamentos. Ou, pior,  se elas acreditavam que iam transferir peças da loja do estilista para a C&A. Ou estavam só malhando porque era a dita loja.

Na contra-mão das emburradinhas, a Mel, do blog “Deveria estar estudando!” (eu tb), pegou o mote da polêmica e escreveu  sobre a fantasia das criaturas que desejam aparecer, mas não pode ser com produto popular de etiqueta C&A, Renner ou Marisa, por exemplo.

No Brasil, chic é ter “marca”, a necessidade de ostentação é absurda, tanto que vemos por aí gente que se mata em prestações para comprar uma bolsa usada (e muitas vezes podreeeee) de site gringo…ah, mas é “de marca”!

Isso tudo me fez de lembrar  de uma experiência recente. Passava férias em Santarém, e, numa loja de malhas, avistei numa daquelas caixas de retalhos um tecido estampado com rascunhos de mangás. Achei super bacana. Comprei e levei para a Cirene, amiga  e costureira, fazer uma regata. Ficou linda, mas era só uma camisetinha com desenhos diferentes. As perguntas que vieram, depois que voltei à cidade grande (Vitória, na época):  ” deve ter sido uma fortuna na Ópera Rock!”; ” aposto que vc trouxe de uma loja descolada de São Paulo!”;  “É da Osklen?”  hahaha.  Eu respondia:

“Não. É made in Santarém, Pará. Paguei uns 15 reais no total”…  É bom ver as reações nessas horas de choque! A avidez por marcas e rótulos (de qualquer coisa) deixa muita gente cega.

18 respostas para Desejo de parecer rica e descolada

  1. hanny disse:

    sempre certeira esta dona moça!
    ale, não tenho acompanhado tanto as novidades da moda. me falta paciência e, claro, dinheiro.
    mas quer saber… acho que o povo anda se divertindo menos e gastando mais. claro, é uma lógica idiota, mas bem… eu acho mesmo que gente assim de rótulo não deve ser outra coisa. só pode ser idiota.
    sorte a minha que ando sem paciência e com blusinhas de R$ 10 a peça (lojinha de fábrica perto de casa. maravilha! rs)

    bjos

    • Hanny, não tenho disposição para passear por lojas, experimentar e experimentar… Minha mãe fica louca comigo. E se alguém diz “achei uma bolsa mega-linda NNN por 400 reais”, tenho um conversor mental imediato, que transforma o valor mencionado em passagens de avião, por exemplo.🙂

  2. Milton Toshiba disse:

    Ale moro quase na esquina da Oscar Freire que tem grifes do mundo todo. Mas aqui em casa não ligamos para grifes, tanto é que minha esposa compra muitas roupas lindas no Bom Retiro, ou mas liquidações.
    Ah aqui se aluga bolsas custa 6% do valor, uns 60
    Reais para passear oum fim de semana com glamour hehe
    Bjs:)

    • Milton, me veio à mente uma ideia. Garanto que vc faria uma grana extra, se alugasse um quarto – aos fins de semana – para peruas do Brasil. Afinal, quem delas não gostaria de morar na esquina da Oscar Freire, nem que fosse por um sábado? rs. bj

  3. kantega disse:

    Oh Paraense,,,,,, Vitória, cidade grande???????

    Tá brincando!? Acho que Santarém é mais agitada que isso aqui. hehehe

    E outra, eu só compro roupa na Glória, tem coisa très chique lá! rs

    bisous

  4. Cássia disse:

    hahahahahaha
    Ale, achei a cara da nossa ilha!
    hehehehehehehehehe

    Ô Kantega!
    Uma amiga e eu brincavamos dizendo que era hora de garimpar.
    Ou seja, sair para as compras, escolhendo e selecionando.
    Bom. Bonito. Barato.

    Ale, o inusitado da cobrança é surreal.
    Tudo pelas marcas!
    Não por acaso, vou ser madrinha de casamento, de novo.
    E, já me preparo para o BF – tremendo bola fora!

    Olha só o que me aconteceu há dois anos…
    Uma amiga minha, que chegou a dizer que pela beleza valia qualquer sofrimento…
    (haja suspiros de nem sei eu o quê)
    No que respondi que em 2007 eu queria usar um sapato lindo, confortavel e fashion porque era de plataforma, e mostrava lindamente as pontas dos dedos, quase uma sandália.
    Como eu era uma madrinha de casamento, atendi ao pedido dessa amiga.
    Usei um desconfortavel sapato, só para o evento.
    Nem pude dançar na festa, com os pés em petição de dor!
    Em compensação, fiquei próxima de pessoas maravilhosas, gentis e atenciosas.
    Só por isso, já valeu!

    Então…
    Pois, quando disse a ela, recentemente, que me lembrava que na mesma ocasião, a Vanessa Camargo tinha usado no próprio casamento – logo em seguida – uma sandália plataforma, ela prontamente me respondeu que era da marca XYZ importada!
    E que eu ia usar xyz brasileira, então, não valia!
    Muita superficialidade para meu gosto…
    E olha que ela é baiana, a danadinha! Radicada como capixaba!
    Pode?!😉

    Fofura, estou adorando o Conde dos Sanduíches.
    Há uma quadra daqui – você sabe onde.😉
    Cotado na Roda de Boteco desse ano, que teve a final em grande estilo nesse fimdesemana.
    Ainda não sei o resultado.
    Mas, sei que o boteco é muuuuuuuuuuito bom.
    Volta e meia encontro com amigos, por lá.

  5. Cássia disse:

    Ô tagarelice, sô!

    Ale, né por nada não, mas, eu pessoalmente, não gosto dos estilistas brasileiros, salvo peças raríssimas.
    C&A acompanhou a tendência européia durante anos, até que veio a moda brasileira.
    Já deixei de comprar por lá, por conta disso.
    Só garimpando, quando o som nas alturas, me agrada.
    Tem mais essa!

    A ZARA, que veio para a ilha, tem sido nossa salvação.
    Em loja de departamentos!
    Há quem prefira a RENNER.
    Mas, até na Riachuelo, na Marisa, e nas Americanas arrisco encontrar peças de bom gosto.
    Hering idem.

    Uma boa costureira nos salva, não é mesmo?
    O vestido como madrinha de casamento de 2007?
    Costureira! Com direito a escolha do tecido e do modelito.

    Sei não…
    Fico um tempão sem tagarelar com você e dá nisso…
    Tagarelice em excesso.

    Voltei, também para lhe dar meu abraço de solidariedade por seu amigo que partiu, deixando lembranças e saudades.
    Meus sentimentos!
    Amigos são valiosos e valorosos!

  6. renatabatata disse:

    Concordo com vc. Escrevi no blog sobre o RL para C&A e acho que a grande falha foi na campanha. As pessoas não se informaram, nem ficaram sabendo. Não entendi pra quem foi feito tudo esse buxixo. Mas enfim… Depois dá uma lida lá.
    Beijinhos! E obrigada pela visitinha!😀

  7. manoellamariano disse:

    Eu confesso que sou meio viciada em
    vasculhar as coleções de grife…
    Mas NUNCA pagaria fortunas numa
    peça comum. Gosto daquelas artísticas sabe?
    Mas gosto daroupa em si. Da arte. Tanto
    que compro um tecido e copio. Nada de etiqueta. rs

    Cara, que legal aquele comentário. Olívia é
    a personagem de um roteiro que tô escrevendo
    com um amigo. Tô mergulhada nela e escrevo
    as locuções em off, como se fosse diário.
    Você entendeu assim. =)

  8. Jana disse:

    Eu tenho uma tia costureira sensacional, daquelas que nem existem, mas faço o mea culpa: gosto de loja. De ser paparicada. De provar e levar (mais não levar do que levar, em função do $$$$ curtíssimo) na hora. Do cheirinho. Vou arder na fogueira das vaidades féxion, mas OK. Estarei vestida de acordo, tipo Ah, você gostou? Imagina, é tããããão baratinho… Hahahaha. Beijos capixabas.

  9. Pat disse:

    Ihhh, acho que errei…dizem que fazemos parte de uma Sociedade “Moderna”..é aqui no Brasil merrrmo???
    Pois é…

  10. fegalves disse:

    Eu gosto de comprar, de olhar, de me apaixonar por alguma peça, aí voltar pra casa, matutar. Sonhar que estou usando. Aí volto e compro (ou, às vezes, a peça acabou, acontece bastante também). E fico feliz feliz por um tempo.
    Mas eu sou muito da pechincha. Se pelo preço de uma coisa, eu posso levar duas, acabo ficando com a segunda opção. E meu sonho de consumo hoje é uma costureira no Rio. Alguém que eu possa empentelhar com meus recortes e prints das internets a vida.
    Um dia eu chego lá.

    Adorei seu blog, esqueci de contar.

    Escreva mais😉

    Beijão

  11. Carol M. disse:

    comentário demorado, mas acho que você lerá ^^
    eu não me ligo para marcas. a únicas roupas de marca que tenho são as que comprei por liquidação – por 10 ou 20 reais.
    mas eu critiquei e não gostei mesmo da coleção do reinaldo lourenço para c&a. nao por causa da qualidade ou do corte – isso porque não expero muito disso em lojas em que o intuito é ter preços baixos. mas sim porque achei as roupas dele idênticas as que já vinha aparecendo nessas lojas. para que convidar um estilista como o reinaldo para fazer algo que a loja ja vinha fazendo? eu esperava algo numa linha de criação diferente do da c&a, mais com a cara do Reinaldo. se isso não é possível com o objetivo dos preços, é melhor não ter.
    porque, para mim, ele só foi convidado para a c&a fazer propaganda num mundinho fashion e tentar se firmar como uma loja da moda.

  12. Hermes disse:

    Não tenho vaidade com roupas…gosto bolar camisetas com frases.

  13. Aline disse:

    Teve alguém nos comentários que meteu o pau em quem gosta de grifes e ao final disse “e olha que é baiana,a danadinha” Baiano não pode gostar de grife? Aos baianos que seja dado o que é de pior, de lojas não grifes?
    Me poupe!

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