Desejo de parecer rica e descolada

20/07/2009

Sempre que possível, dou uma olhada em blogs de moda e vestuário. Neste fim de semana, muitas meninas escreveram suas percepções sobre a coleção de Reinaldo Lourenço (estilista brasileiro chic) recém lançada pela C&A.  Algumas blogueiras e comentaristas disseram estar decepcionadas com os tecidos, com a qualidade do acabamento, com as cores etc. A peça mais cara custa 100 reais.  Eu fiquei pensando em quantas daquelas garotas  resmungonas já viram uma criação do moço de perto, ou, se teriam dinheiro pra comprar além do padrão de preço de uma loja de departamentos. Ou, pior,  se elas acreditavam que iam transferir peças da loja do estilista para a C&A. Ou estavam só malhando porque era a dita loja.

Na contra-mão das emburradinhas, a Mel, do blog “Deveria estar estudando!” (eu tb), pegou o mote da polêmica e escreveu  sobre a fantasia das criaturas que desejam aparecer, mas não pode ser com produto popular de etiqueta C&A, Renner ou Marisa, por exemplo.

No Brasil, chic é ter “marca”, a necessidade de ostentação é absurda, tanto que vemos por aí gente que se mata em prestações para comprar uma bolsa usada (e muitas vezes podreeeee) de site gringo…ah, mas é “de marca”!

Isso tudo me fez de lembrar  de uma experiência recente. Passava férias em Santarém, e, numa loja de malhas, avistei numa daquelas caixas de retalhos um tecido estampado com rascunhos de mangás. Achei super bacana. Comprei e levei para a Cirene, amiga  e costureira, fazer uma regata. Ficou linda, mas era só uma camisetinha com desenhos diferentes. As perguntas que vieram, depois que voltei à cidade grande (Vitória, na época):  ” deve ter sido uma fortuna na Ópera Rock!”; ” aposto que vc trouxe de uma loja descolada de São Paulo!”;  “É da Osklen?”  hahaha.  Eu respondia:

“Não. É made in Santarém, Pará. Paguei uns 15 reais no total”…  É bom ver as reações nessas horas de choque! A avidez por marcas e rótulos (de qualquer coisa) deixa muita gente cega.


Humor para poucos

16/07/2009

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Saudade e lembranças

13/07/2009

Hoje meu amigo Juca partiu…  Ele foi um dos grandes incentivadores da minha entrada no mundo do jornalismo científico. Em 1993, ainda estagiária, ele foi meu chefe no projeto jornalístico Academia Amazônia-UFPA, onde me colocou alguns desafios. Em 1994, foi meu colega de turma no segundo semestre do mestrado em Comunicação Científica na Metodista-SP. Desde 1998, ficamos sem notícias um do outro. Em 2004, nos reencontramos nas caixinhas de comentários do blog do Jeso Carneiro, de Santarém-PA. E chegamos a formar uma dupla de comentaristas como “Batman e Robin”. O humor da gente combinava muito. Naquela época, ele ainda não tinha se tornado o blogueiro de política  mais polêmico do Pará,  o que aconteceu nos anos seguintes com a criação do seu Quinta Emenda. Nestes anos todos, muitos emails trocados, alguns telefonemas e a promessa de um almoço, assim que possível.

Ficam na lembrança as conversas boas, os almoços no mestrado, o bom humor sempre presente, a fala mansa, as palavras de incentivo e a tranquilidade.

[…]”Senti, como outras vezes, a tristeza e a surpresa de compreender que somos como um sonho.” […] – Jorge L. Borges, Unending Gift


Quem é esse cara que está no Google hoje?

10/07/2009

Deixe que o futuro diga a verdade e avalie cada um de acordo com suas obras e conquistas. O presente é deles, mas o futuro, pelo qual eu realmente trabalhei, é meu.

Esta é uma frase atribuida a Nikola Tesla(1856-1943), um cientista brilhante e injustiçado, que faria aniversário hoje. Por isso, a homenagem do Google.  Como é (ou era), quase desconhecido, várias pessoas perguntaram por aí “quem é o cara”.  A primeira vez que li sobre Tesla foi em um livro de história das comunicações (não lembro o qual). E, depois, “vi de novo” no filme Sobre Café e Cigarros*, em que é  o principal assunto do diálogo do White Stripes. Além disso, meu namorado é fã do inventor e me contou algumas coisas sobre ele.

teorias conspiratórias que dizem que o nome dele foi abafado pelos capitalistas americanos, que o trapacearam para subtrair suas invenções…

Neste breve documentário, “Nikola Tesla, the forggoten wizard” (legendado) há um pouco sobre o sujeito visionário e genial e sua importância para o mundo.

*fora do tema: o melhor curta do “Sobre Café e Cigarros” é o estrelado por Tom Waits e Iggy Pop.


Tantas coisas miúdas – II

01/07/2009

A gente sabe que não é de hoje que muitas pessoas sonham com minutinhos de fama. Há aqueles capazes de fazer qualquer coisa para aparecer. É  claro que a internet facilitou demais a vida dos aspirantes ao “sucesso”. Primeiro foram os blogs, depois os fotologs e o you tube. O palco mais recente é o twitter. Tem gente que usa para adquirir “admiradores”. Eu, assim como muitas outras pessoas, uso para buscar informações “direto” de fontes boas de pesquisa sobre vários assuntos.

Esses dias,  por exemplo, ocorreu uma papagaiada de um trio de atores/cantores/apresentadores, que implorou ao ator Ashton Kutcher (marido fofo da Demi Moore e celebridade do twitter) que participasse do movimento #forasarney para o bem do Brasil. Disseram que era importante que alguém como ele se aliasse à causa. E este moço lembrou-lhes de quem é a responsabilidade de fazer este tipo de manifestação. Mais sobre essa história aqui.

Sempre digo que sou observadora das conversações nas redes sociais da web. E  vejo como tem gente que se desintegra ao sabor de suas próprias palavras! É de pasmar. Eu me reservo o direito de não opiniar sobre tudo. E acredito que as pessoas deviam refletir  mais antes de registrar nos fóruns ou blogs ou twitter qualquer coisa só pra dizer que “pensam” ou são espertas..rs.

Lembrei-me desta fábula de Esopo, que é adequada aos “cheios de atitude”: Um corvo roubou um pedaço de carne e foi para o alto de uma árvore. Uma raposa, ao vê-lo, logo quis se apossar do pedaço de carne. Ao pé da árvore, pôs-se a louvar a beleza e a graça do corvo:

– Quem, além de ti, pode ser o rei dos animais? Bastava que tivesse voz.

O corvo, querendo mostrar que não era mudo, deixou cair o pedaço de carne e começou a emitir ruídos. A raposa abocanhou a carne e disse:

– Ora, senhor corvo, se também fosses inteligente, não faltaria nada para seres o rei dos animais.

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Obs: Análises acadêmicas muito oportunas  sobre o twitter têm sido feitas com propriedade pela profa. Raquel Recuero.