Tantas coisas miúdas – I

foto de F.Sponchiado

foto de F.Sponchiado

Acho que todo estudante de jornalismo ouviu alguma vez  a sentença:  “o jornalista é um especialista em generalidades”. Quando me disseram isso, ainda caloura, acreditei e pensei que devia ser muito difícil ser esse profissional.  Mesmo assim, como eu era caxias e inocente, transformei em objetivo. Felizmente, depois de algum tempo, percebi que:

1) um especialista em generalidades é um ser fictício;
2) quem se acha um especialista em generalidades não pode ser uma pessoa boa da cabeça;
3) Leonardo da Vinci e Charles Sanders Pierce são únicos e geniais. Eles não foram jornalistas, mas sabiam um pouco das diversas áreas do conhecimento em suas respectivas épocas;
4) alguns assuntos nos interessam infinitamente mais que outros;
5) etc.

À primeira conclusão, cheguei na década de 90, logo após o primeiro ano de faculdade. A conclusão número 2 foi observada em 2000,  ao conhecer um pesquisador- enciclopédia ambulante, mas comprometido comportamentalmente.
Porém, eu adoro ler assuntos diversos, completamente diferentes entre si, já falei por aqui. E essa mania agora me incomoda demais. Ironia do destino? Não é raro que me veja tentando abrir caminho no meio de informações (variadas e de inúmeros assuntos) engalfinhadas e enlouquecidas na minha cabeça.
Mas há felicidade neste drama (hahaha), eu sei que a memória cotidiana tem vida curta. E é bobagem se aprofundar no que é transitório.
No momento, faço faxina nas miudezas informacionais para reduzir o emaranhado mental.  Nunca pensei que isso seria necessário! =)

15 respostas para Tantas coisas miúdas – I

  1. Vanessa Maia disse:

    Adorei esse post. Tem dias que leio, vejo, sinto, cheiro, lembro tanta coisa que no fim do dia to cansada de soh pensar. Agora tô ensaiando um novo mantra: “Tudo eh uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”… o problema eh que eu nao consigo fazer nenhuma das tres coisas. Primeiro porque sou corcunda. Segundo, porque sou confusa, Terceiro porque ah, deixa pra lah. Não tem solução nao nao, nao tem nao. Outro mantra ????

  2. Hermes disse:

    A foto do post é semelhante a cena final do filme “Pí”, o qual já vi varias vezes, pois o tenho. Por falar em filme, vi agora pouco “Titus” em dvd, recomendo, afinal é shakespear e entao os dialogos…

  3. June Smerth disse:

    Acho que hoje temos tantas informações bombardeadas por todos os lados, que fica impossível absorver todas elas, o que nos resta é tentar nos focar naquelas que parecem ser, nem que apenas à primeira vista, mais relevantes. Hahaha, acho que todo jornalista já tem a mente inquieta!!!

  4. hanny disse:

    ale,
    as vezes eu me perco, me perco a beça. é informação pra danar. mas é minha culpa. eu as procuro. tanto lugar – que não existe – pra ir. tanta referência pra consultar. tantas senhas pra gravar. tantos interesses. um mundo que não acaba mais de nada, porque dois dias depois eu esqueci.
    passa.
    eu me perco a beça, mas me encontro quando leio coisas assim, que os muitos interesses fazem a gente chegar
    “é bobagem se aprofundar no que é transitório”

    acho que eu gosto de gente que se interessa por diversas coisas. é muito chato conversar com gente limitada.

    bjos

    ps: seus dois últimos posts estão entre os meus favoritos.

  5. Fábio Vanzo disse:

    Vale ser um generalista em especialidades?

  6. manoellamariano disse:

    Tu faz faxina? Não… Tu faz um giro
    na “tralha” acumulada. Mas tá sempre lá,
    tudo na cabeça, faxina após faxina. rs
    Mas é melhor ser especialista em algo
    (que é uma coisa só) ou curiosa?

  7. Juca disse:

    Não faxine muito pesado.
    Daqui uns anos seu cérebro fará por vc.
    E pior: sem o comando do dono da massa encefálica…rs
    Já sinto o processo aos 53.
    Bjs

  8. Cássia disse:

    Quando o jornalista pergunta ao Iván se as pessoas sabem conviver com o silêncio ele responde que talvez os monges…
    Tive que fazer teste de audiometria e senti sensibilidade com ruídos, e a jovem responsável concordou comigo.
    Há pessoas mais sensíveis e que precisam de silêncio, e se sentem desconfortáveis com ruídos.
    Ruídos metálicos, preferencialmente.
    Uma amiga, dentista, confirmou para mim.
    Profissionalmente, ela e eu convivemos com ruídos metálicos.
    Talvez por isso eu seja tão seletiva com música…

    Já tentou yoga, Ale?!

    • Cássia, já tentei fazer yoga, mas nunca consegui horário compatível. Mas eu sou uma pessoa calma. A inquietude da mente de que falo no post é provocada pelo meu vício por informação de vários tipos. Um onivorismo cultural. =)

  9. Lacy disse:

    Adorei o “onivorismo cultural”. Acho que também torço por esse time.
    Bjs

  10. Miguel disse:

    “Vício por informação de vários tipos. Onivorismo cultural” Taí! Me enquadro nisso também. Mas embora não seja a maioria (que só fica no “futebol, bbb, novelengas, faustões e ivetes”), não são tão poucas as pessoas atingidas por esse “vício”. Felizmente ainda há VIDA INTELIGENTE em nosso mundinho (virtual ou não).
    PS- O excesso de informação (e deformação) que as atuais tecnologias proporcionam é realmente um…CAOS!

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