Tantas coisas miúdas – I

23/04/2009
foto de F.Sponchiado

foto de F.Sponchiado

Acho que todo estudante de jornalismo ouviu alguma vez  a sentença:  “o jornalista é um especialista em generalidades”. Quando me disseram isso, ainda caloura, acreditei e pensei que devia ser muito difícil ser esse profissional.  Mesmo assim, como eu era caxias e inocente, transformei em objetivo. Felizmente, depois de algum tempo, percebi que:

1) um especialista em generalidades é um ser fictício;
2) quem se acha um especialista em generalidades não pode ser uma pessoa boa da cabeça;
3) Leonardo da Vinci e Charles Sanders Pierce são únicos e geniais. Eles não foram jornalistas, mas sabiam um pouco das diversas áreas do conhecimento em suas respectivas épocas;
4) alguns assuntos nos interessam infinitamente mais que outros;
5) etc.

À primeira conclusão, cheguei na década de 90, logo após o primeiro ano de faculdade. A conclusão número 2 foi observada em 2000,  ao conhecer um pesquisador- enciclopédia ambulante, mas comprometido comportamentalmente.
Porém, eu adoro ler assuntos diversos, completamente diferentes entre si, já falei por aqui. E essa mania agora me incomoda demais. Ironia do destino? Não é raro que me veja tentando abrir caminho no meio de informações (variadas e de inúmeros assuntos) engalfinhadas e enlouquecidas na minha cabeça.
Mas há felicidade neste drama (hahaha), eu sei que a memória cotidiana tem vida curta. E é bobagem se aprofundar no que é transitório.
No momento, faço faxina nas miudezas informacionais para reduzir o emaranhado mental.  Nunca pensei que isso seria necessário! =)


Por mais textos eróticos

06/04/2009

Há algumas semanas consegui terminar de ler o livro “Por que estudar a mídia?, de Roger Silverstone, adquirido há uns 2 anos. Não que fosse um desejo, eu-preciso-ler, mas porque me comprometi a terminar a leitura reiniciada em vários momentos. Já me sentia enjoada só de olhar pra ele.

O livro não tem grandes novidades sobre o tema, bem que desconfiei. O melhor capítulo é o Erotismo, de onde extraí a citação de Roland Barthes (do livro “O prazer do texto”). Achei interessante a analogia barthesiana, que me fez pensar em diversos pontos sobre leitura e análise de um texto.

O lugar mais erótico de um corpo não é onde o vestuário se entreabre? Na perversão (que é o domínio do prazer textual) não há “zonas erógenas”… é a intermitência, como disse muito bem a psicanálise, que é erótica; a intermitência da pele que cintila entre duas peças (as calças e o suéter), entre duas bordas(a camisa entreaberta, a luva e a manga); é essa cintilação que seduz, ou ainda: a encenação de um aparecimento-como-desaparecimento. (Barthes, 1976:9-10)

Essa leitura também me fez refletir sobre a dificuldade de me interessar por textos que encontro em profusão por aí. Eu já li muita porcaria, por gosto e por trabalho. Mas enchi e cansei. Não me falta vontade de ler coisas boas. E qual é o tipo de leitura que me seduz? Sou capaz de ler qualquer coisa, desde que seja erótica, na visão de Barthes. Desde um modo original de descrever uma receita culinária até um livro científico sobre o Caos. Obviamente, também não me falta autocrítica.