A invenção de Morel

21/11/2008

Morel é personagem do romance “A invenção de Morel”, de Adolfo Bioy Casares, escrito em 1940. A suposta invenção do Morel é um gravador/projetor capaz de captar todos os elementos possíveis do ambiente (sons, cheiros, pessoas, plantas, tudo) e reproduzi-los fielmente de uma maneira que seria impossível distinguir projeção e realidade. O que ele pretendia com isso era “viver” para sempre junto com o grupos de amigos, que levou para uma ilha deserta. Ou seja, mesmo que morressem, uma semana de suas vidas se repetiria eternamente a partir do projetor multimídia instalado na ilha.

É uma narrativa angustiante feita por um narrador-intruso da ilha. Os questionamentos desse observador me levaram a ler o livro em gotas. É imperdível para quem gosta de literatura fantástica.

“Se atribuimos conciência e tudo o que nos distingue dos objetos às pessoas que nos rodeiam, não  poderemos negá-la àquelas criadas por meus aparelhos com nenhum argumento válido e exclusivo” (parte do bilhete escrito por Morel e lido pelo narrador-intruso).

Dadas as devidas proporções, as projeções das pessoas do romance são como os personagens vividos por atores de cinema e televisão, cujas personalidades se confundem no imaginário das pessoas; são as amizades que ficam apenas no ambiente online (eu tenho várias); também é a busca pela perfeição estética refletidas nas tentativas de parecer fisicamente com um artista;, e o uso de fórmulas, medicamentos e técnicas que prolonguem a vida e transformem a imagem do corpo sadio e jovem em algo perpétuo.

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“quanto é o seu colesterol?”

14/11/2008

Por que será que muita gente com mais de 50 anos adora conversar sobre as taxas de colesterol, os números da pressão, o nervo ciático?

Adão Iturrusgarai

Adão Iturrusgarai

Tenho medo…


Anotações sobre o ambiente

05/11/2008
goat balls - by Steven Alexander

goat balls - by Steven Alexander

Quem me acompanha há algum tempo sabe que sou fã do escritor americano Henry Thoreau, especialmente por sua obra “Walden”. Neste livro, além de filosofar sobre a vida, o homem e a sociedade da época (1850), ele observou e descreveu a natureza nos arredores de sua cabana, às margens do lago Walden, em Massachusetts. A novidade é que as anotações feitas por Thoreau sobre a vegetação da região estão sendo usadas agora por pesquisadores para avaliar as mudanças ocorridas no clima desde o século XIX. Gostei de ler isso, não só pelo meu interesse pela obra do escritor, mas por valorizar o tipo de gente que dá atenção ao que acontece ao seu redor, mesmo sem pretensões científicas, apenas pelo simples deleite, digamos assim.

Nesse sentido, conheci há pouco tempo o blog Tropical Biodiversity, de  Steven Alexander, um americano que vive há décadas em Santarém-PA, e registra a fauna e a flora da região, aparentemente por hobby. Ele publica boas fotos e descreve cada um dos elementos fotografados. Quando encontra algo desconhecido,  pede ajuda aos nativos e aos leitores do blog. O que ele e Thoureau têm em comum? a experiência de vida em um bosque rico de informações e a intenção de compartilhar novidades sobre um ambiente um pouco misterioso e interessante para muita gente.

Por outro lado, acredito que, mesmo hoje, Thoreau não teria um blog para descrever o modo simples de viver em uma cabana no meio do mato.