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Tio Patinhas na escola

Esta curiosa placa pertence a uma escola de educação infantil e ensino fundamental em Santarém-PA. Existe, com certeza, há mais de 11 anos. Lembro de quando começou a funcionar( perto da casa da minha mãe), mas não recordo a data.  Em julho deste ano, quando fiz a foto, o prédio estava em reforma.

Os donos da escola leram a LDB da Educação (=texto que está entre aspas), mas aparentemente não entenderam quem era o Tio Patinhas no gibi. Não consigo “ligar o nome à pessoa”.

Jornalistas no laboratório, cientistas na redação

“Seria muito interessante que o pesquisador, ao fim do doutorado, passasse um tempo na redação de um jornal para entender como é o processo do jornalismo. Do mesmo modo, o jornalista de ciência ou estudante de jornalismo poderia freqüentar um laboratório e observar o dia a dia dos pesquisadores.“

Assim disse o neurocientista e professor da UFRJ  Roberto Lent, em 14 de setembro, na mesa Educação e Divulgação Científica do Simpósio “Ciência, Tecnologia e Inovação: Visões da Jovem Academia”, organizado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC). A experiência de Lent com a pesquisa e divulgação da ciência traz sempre um frescor no meio de algum ranço existente entre cientistas concentrados em seus projetos, papers e afazeres burocráticos, avessos ao trabalho jornalístico. Do outro lado, há jornalistas apressados para cumprir suas pautas. Concordo totalmente com a proposta dele.

Na minha graduação em jornalismo, fiz estágio em um programa de jornalismo científico e cultural, e estive em laboratórios de aulas e pesquisa. A lembrança mais marcante foi o acompanhamento de rotinas simples do laboratório gerenciado por Cristovam W.P. Diniz, neurocientista e professor da Universidade Federal do Pará(UFPA). Ali também assisti a alguns seminários ministrados pelos estudantes de biomedicina – entre eles, estava o amigo Wallace Leal, hoje pesquisador e professor da UFPA. Diniz foi um grande incentivador do meu interesse na divulgação científica naquele início dos anos 90.

Como jornalista, desenvolvi muitas pautas em laboratórios e escritórios de pesquisa. Bruno Latour e Steve Woolgar , no livro “A Vida em Laboratório”, dizem que se não tivéssemos a menor noção do que é a pesquisa científica, e adotássemos a versão dos cientistas, iríamos aprender apenas a “macaquear” o chefe do laboratório. E creio que isto vale muito para o jornalista em qualquer área de atuação ou especialização.

em busca de informações sobre outras tribos/Foto: Maria Lúcia Srur

 

A partir de julho deste ano, voltei à prática de visitante de laboratório (seria um hobby nerd?). Durante 15 dias, ministrei aulas no curso de especialização em jornalismo científico na Universidade Federal do Oeste do Pará(Ufopa). Uma das nossas atividades foi conhecer um campo de pesquisa arqueológica, recém aberto no terreno da universidade. Em um sábado, estávamos lá, sob sol quente, a interrogar a arqueóloga Denise Gomes e equipe. Foi muito bom ver os alunos ativos na entrevista coletiva. E saí dali com vontade de estudar arqueologia.

Em agosto, levei um grupo de alunos de graduação em jornalismo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro(UFRRJ) para um programa mais “radical”. Conhecemo o laboratório de anatomia animal do Instituto de Veterinária da UFRRJ. Os primeiros momentos foram de impacto e nojo gerados pelo cheiro e pelo visual. Nenhum dos oito alunos havia tido uma experiência como aquela, o que motivou diversas perguntas ao professor Luciano Alonso.  Os alunos participam de um projeto de jornalismo científico que iniciei este semestre na UFRRJ.

Acredito que este tipo de jogo entre estudantes, jornalistas e pesquisadores de outras áreas pode ser muito proveitoso para todos. É por isso que continuarei a incentivar ações e vivências como estas que compartilhei aqui.

Cobras, lagartos e carapanãs

Há pouco mais de um ano, antes de eu decidir deixar a UFRB e vir trabalhar na UFRRJ, meu pai me mandou esta: “Tens certeza de que queres trocar uma universidade nova por outra madura e cheia de ‘cobras criadas’?”  Respondi que o curso em que ia trabalhar era novo, apesar da universidade antiga.
Então, há duas semanas,  a fala do meu pai se confirmou em certa proporção. Uma real cobra criada apareceu à luz do dia no ICHS, local onde trabalho na UFRRJ, em Seropédica. Quem a encontrou foi o @giancornachini, estudante de jornalismo, que postou esta foto no twitpic.

moradora não identificada da UFRuralRJ

(Claro que se trata apenas de uma amostra das que vivem escondidas no recantos do terreno da Rural.)
Pensei em procurar saber nome e sobrenome da  serpente.  Será que existe alguma pesquisa sobre os animais que vivem na universidade? O campus de Seropédica tem mais de 3 mil hectares, mais “mato” que prédios e deve haver muito bicho nesse ambiente. Dei a sugestão de pauta ao Gian.

No twitter, pedi ajuda ao colega @rmtakata, biólogo, que vive em BH-MG. Mas ele também não sabia a identidade da figura e me sugeriu que consultasse o pessoal do blog do Nurof – Núcleo Regional de Ofiologia da UF do Ceará. Deixei um recado no blog com link para a foto. Horas depois, Luan Pinheiro registrou a resposta: “Cara Alessandra, infelizmente por essa imagem que nos mostrou fica impossível identificar a serpente, no entanto posso lhe assegurar de que não se trata de um animal peçonhento.”

Beleza! É o tipo de informação que – mesmo incompleta – é suficiente para aliviar o medo oculto em curiosidade.

Por isso resolvi postar a breve experiência: as  ágeis conexões entre pessoas de vários lugares,  com endereço  – e uso efetivo – na web, em torno de um tema me reafirmaram aquela velha ideia de que é bom conhecer fontes certas quando se quer resolver determinados problemas. #tôligada.

Exercício zen

Ensaio de forma zen a volta ao “mundo dos blogs”.  Desde o fim do ano passado que minha cabeça anda meio lá e cá. Em janeiro, fui para a Bahia,  organizei tudo para viver por lá, mas, em maio,  voltei para o Rio de Janeiro. Agora, e por bastante tempo, estou na UFRRJ.  Deixei amigos e ex-alunos queridos em terras baianas, mas era muita boa a oportunidade de voltar pra casa.Vou sossegar um pouco dessa vida de viajante pelas regiões brasileiras e organizar as coisas por aqui.