24/09/2009
Finalizei a leitura do “Usos sociais da ciência” , de Pierre Bourdieu. É um livro curto, resultado de uma conferência realizada em 1997, sobre o capital científico e as estratégias de campo. Não é gostoso de ler, empaquei várias vezes. Mas foi importante para clarear ideias de pesquisa e cutucar outras. Além do foco na atuação dos cientistas, sobram críticas para os jornalistas:
“[...] os eruditos aparentes da opinião ou das aparências, isto é, os pesquisadores e os analistas das pesquisas, essas pessoas que nos fazem acreditar que o povo fala, que o povo não cessa de falar sobre todos os temas importantes. Mas o que jamais é colocado em questão é a produção dos problemas que são postos para o povo. Ora, esses problemas são engendrados segundo o processo circular de circulação entre pesquisadores, jornalistas e politicólogos [...]. Nem todo mundo tem os instrumentos de produção da opinião pessoal. A opinião pessoal é um luxo. Há pessoas, no mundo social, que ’são faladas’, por quem se falam, porque elas não falam, para as quais se produzem problemas porque elas não os produzem. E, hoje, chega-se mesmo, no grande jogo da mistificação democrática, até dar oportunidade para que respondam problemas que não seriam capazes de produzir. E se faz, então, que produzam falsas respostas que fazem esquecer que elas não têm questões.” (Bourdieu, 2004: 83-84)
Não quis pensar em marketing científico, mas não pude ignorar as aulas de pesquisa em comunicação e a necessidade de se ter/formular uma questão-problema importante para a sociedade e/ou para a ciência. Como a dificuldade de percepção leva o estudante a parir problemas enviesados! Lembrei das enquetes jornalísticas feitas nas ruas sobre assuntos de que as pessoas jamais ouviram falar. Também pensei nas análises tortas das pesquisas de opinião que a gente vê… Daí veio uma leve dor de cabeça, boa para “esquentar” os neurônios e renovar objetivos profissionais.
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Ciência | Etiquetado: Escola, Jornalismo, política, reflexões |
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Escrito por Alessandra Carvalho - Lain
23/12/2008
Reproduzo parte de um post do prof. Manuel Pinto, do blog Jornalismo e Comunicação, por duas razões: porque a dica dele é boa, e, pela foto que ele escolheu para ilustrar o texto sobre a coleção do Boston Globe. A fotografia abaixo foi publicada no jornal “A Crítica”, de Manaus-AM, em 11 de março: uma índia tenta conter, em vão, um pelotão de choque do exército amazonense em ação de despejo/reintegração de posse de terras privadas, onde viviam duzentos sem-terra. (leia aqui uma notícia sobre o caso). Reflete a ironia histórica que já conhecemos sobre os primeiros donos do Brasil, além da fragilidade contra a truculência.
“

(Foto: REUTERS/Luiz Vasconcelos-A Critica/AE)
O blogue “The Big Picture – News Stories in Photographs”, do Boston.com, publicou, nos últimos dias , uma espécie de balanço do ano em imagens. Uma escolha destas é sempre discutível, mas vale a pena ver:
(Manuel Pinto)
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Cotidiano, Sociedade | Etiquetado: Jornalismo, memória |
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Escrito por Alessandra Carvalho - Lain
21/04/2008
Não estou querendo alimentar nenhuma polêmica sobre quem pode ser jornalista… Apenas aproveito para repassar a dica do professor Antonio Granado (via Twitter) sobre a publicação da entrevista com Jeff Jarvis, jornalista americano especialista em internet, hoje no jornal “O Público”, de Portugal. Entre outras coisas, Jarvis diz
[...]o que é o jornalismo, quem é um jornalista? Acho que é um erro definir o jornalismo com base em quem o pratica. Há pessoas que podem fazer um acto de jornalismo uma única vez na vida. Por exemplo, alguém que no tsunami [no Sudeste asiático] tirou uma foto do que se estava a passar, isso foi um acto de jornalismo.
O papel do jornalista muda. Temos mais gente a fazer jornalismo, isso pode ser confuso; há um papel para os jornalistas, que é editar, gerir [“curate”], talvez até ser educadores, ajudar as pessoas a fazer jornalismo melhor. A ideia de que as instituições são donas do jornalismo, isso vai acabar. Mas não quer dizer que vá acabar o jornalismo.
Clica aí para ler a entrevista: Jeff Jarvis: No jornalismo, as boas idéias são do público
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Jornalismo, Sociedade | Etiquetado: colaboração, Jornalismo, público |
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Escrito por Alessandra Carvalho - Lain
21/04/2008
A primeira vez que senti enjôo real ao ouvir falar de um assunto repetidamente foi ano passado. O tema popular era o filme Tropa de Elite. Todo mundo falava disso em todos os lugares. E eu sentia náuseas sempre que via ou ouvia algo sobre o fenômeno. Foi preciso ver o filme para me curar daquilo que já chamo de SÍNDROME DA INFORMAÇÃO REPETITIVA (SIR). Primeiro vem a curiosidade natural, depois ligo o meu alerta para o agendamento da mídia. Depois, se acontece minha constatação do espetáculo e confirmação do agendamento da “opinião pública”, já era, dancei… É vontade de vomitar de verdade. Sinto-me como a Cayce Pollard, de Reconhecimento de Padrões, com sua alergia a marcas globais.
Isso explica o que houve ontem, quando tentei ver a entrevista no Fantástico com o casal mais famoso do Brasil atualmente. Fiz isso mais pra ver como seria o comportamento do repórter do que pra saber o que os entrevistados tinham pra falar. Até pensei que seria o Pedro Bial o entrevistador, um especialista em BBB. Enfim, ao cabo dos primeiros 5 minutos corri ao banheiro e vomitei. Desliguei a TV e fui ler os quadrinhos do Adão Iturrusgarai pra dar uma neutralizada na sensação. De novo a SIR em seu estágio final.
Estou começando a achar que devo fazer às vezes da filósofa Marilena Chauí e ignorar a imprensa diária brasileira. Mas como não consigo essa “iluminação” (libertação), gostaria de ter um poder extra-sensorial, que unicamente filtrasse o que chega aos ouvidos e olhos a partir dos meios de comunicação de massa. Talvez um antídoto, uma vacina contra esta síndrome particular . Porque, é sério, eu passo mal de verdade com esse jornalismo horroroso. Será que eu posso processar o jornalismo por isso? rsrs.
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Jornalismo, Sociedade | Etiquetado: espetáculo midiático, Jornalismo, saúde |
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Escrito por Alessandra Carvalho - Lain