Eu gosto de fazer crochê para não pensar em qualquer coisa. Na verdade, ao tecer as tramas, a gente só pensa em continhas: duas laçadas, pula um, faz dois pontos altos ali, aumenta cinco correntinhas etc. Como dá muito trabalho, só faço objetos pequenos e rápidos. Engraçado é o olhar de descrença de alguns colegas, quando sabem disso: “ah, fala sério, isso não tem nada a ver com você!”. E se eu disser que tem gente estudando matemática com crochê?
Há algum tempo eu quis postar trabalhos do Institute for Figuring, um projeto que envolve estudos sobre meio ambiente, matemática e uma rede de crocheteiras pelo mundo. Mas agora, após ler bobagens da umbigolândia pseudocientífica, resolvi compartilhar o vídeo da breve palestra de uma das idealizadoras do projeto, onde ela conta como tudo começou: após a massificação do assunto aquecimento global e a preocupação em reproduzir recifes de corais que estavam desaparecendo. E no desenrolar disso, entram conhecimentos matemáticos, biologia marinha e o artesanato. Esta junção prova que é possível aliar temas, trabalhos e opiniões, desde que haja visão alargada para aceitar maneiras diversas de compreensão e representação. Estou aprendendo isso também.
[com legendas em português]
Escrito por Alessandra Carvalho - Lain
Há um ano mudei de Vitória (ES) para Niterói (RJ). Estava precisando cuidar da minha saúde global. A rotina havia se transformado em cansaço… Não vim pra cá com emprego ou estudo garantido, motivos pelos quais mudei de cidade outras vezes. Resolvi seguir outra trilha. O medinho inicial foi sobreposto por aquele velho ditado que diz que “quem não arrisca, não petisca”. Hoje estou bem melhor, saúde equilibrada, trabalho tranquilo e em aquecimento para voltar às salas de aula.
