Sensação de ressaca
22/01/2010Bom novo ano!
30/12/2009O blog andou “descansando”, mas não está desativado!
Desejo que *2010* seja um bom ano para todo mundo. Até mesmo para os que não acreditam em mudanças para o bem!
Qual é o cheiro do mundo para você?
14/10/2009O post abaixo provocou alvoroço nos amantes de comida cheirosa e saborosa! É interessante perceber como cheiros ficam presentes e invocam imagens, e imagens podem lembrar perfumes: alfazema lembra sempre a minha bisavó Antonia, cheiro de farinha láctea traz recordações da infância, uma foto da Lapa, bairro do Rio de Janeiro, me lembra cheiro de urina… Afinal, o mundo é um complexo de cheiros. E talvez você já tenha percebido que além de diversas visões de mundo, as pessoas também cheiram o mundo de maneira diferente. Há algumas explicações sobre propriedades do olfato na matéria “Os mistérios do cheiro“, escrita pela Maria Guimarães para a revista Pesquisa. Boa dica dada por ela em comentário do texto sobre o pato.
How stuff works: o pato no tucupi
09/10/2009
É tempo de pato no tucupi em Belém, Pará! Típico da culinária regional, o prato é preparado para a comemoração católica pelo dia da padroeira da capital, todo segundo domingo de outubro. Mas não importa a crença ou descrença, a gente acaba sendo seduzida pelos cheiros e sabores das iguarias.
O pato não é comida corriqueira. O preparo é demorado e requer paciência. Aprendi o ritual ao observar mamãe fazê-lo para nossos almoços de aniversário e festas de fim de ano em Santarém. Para começar, era preciso garantir um pato gordo. Semanas antes, ela encomendava a ave a algum vizinho criador – de quintal mesmo. O bicho era entregue vivo ou morto. Na véspera da “festa”, limpo e em pedaços, o pato era banhado no vinha d’alhos. No dia seguinte, bem cedo, íamos à feira para comprar os outros ingredientes: tucupi, jambu e cheiro verde frescos. Lá tem feira a semana inteira.
O tucupi é o sumo da mandioca amarela, levemente fermentado. Escolhíamos sempre o menos azedo da banca de confiança que vendia produto honesto sem água em demasia ou corante artificial. Eram dois litros de tucupi “do bom” para um pato médio.
Da verdureira, levávamos dois maços de cheiro verde (alfavaca, cebolinha, coentro e chicória-do-Pará) e dois maços bem verdes de jambu, uma folhagem que dá um tremor engraçado na língua. Os comensais de primeira viagem divertem-se ou assustam-se com essa característica do jambu.
Já em casa, mamãe cozinhava rapidamente o pato na panela de pressão, só para amaciar. Em outra panela, fervia o tucupi com alho amassado, o cheiro verde, cebola fatiada, duas pimentas comari inteiras e pimentas de cheiro.
Depois, ainda era preciso assar o pato. E o cheiro espalhava pela casa… enquanto o jambu cozinhava em água e sal até os talos ficarem macios.
Assados, os pedaços de pato eram mergulhados com cuidado na panela do tucupi temperado. Fervia mais um pouquinho, juntava as folhas do jambu e mais cheiro verde. O que é a lembrança do cheiro?!!…Tampava a panela. Desligava o fogo. Deixava lá por uma meia hora ou mais para apurar o sabor. Servia com arroz branco…………… Quem comeu, sabe que vale cada minuto do tempo de preparo.
Felizes lembranças gastronômicas!
[ao Mario Camarão, querido amigo, que ama tucupi com qualquer coisa]
Cartografia em Borges
07/10/2009Dia desses, ao trocar ideias com Marise, lembrei deste texto publicado por Jorge Luis Borges no livro “História Universal da Infâmia”, que eu acredito servir de metáfora para todas as nossas tentativas de buscar explicações perfeitas para qualquer coisa. Transcrevo tal como na 3ª edição(1986):
DO RIGOR NA CIÊNCIA
…Naquele Império, a Arte da Cartografia atingiu uma tal Perfeição que o Mapa duma só Província ocupava toda uma Cidade, e o Mapa do Império, toda uma Província. Com o tempo, esses Mapas Desmedidos não satisfizeram e os Colégios de Cartógrafos levantaram um Mapa do Império que tinha o Tamanho do Império e coincidia ponto a ponto com ele. Menos Apegadas ao Estudo da Cartografia, as Gerações Seguintes entenderam que esse extenso Mapa era Inútil e não sem Impiedade o entregaram às Inclemências do Sol e dos Invernos. Nos Desertos do Oeste subsistem despedaçadas Ruínas do Mapa, habitadas por Animais e por Mendigos. Em todo o País não resta uma outra relíquia das Disciplinas Geográficas. (Suarez Miranda: Viagens de Varões Prudentes, livro quarto, capXIV, 1658)

Escrito por Alessandra Carvalho - Lain 